24 de set. de 2008

INVEJA

não pode ser
amor
é inveja
inveja
do amor que sinto
amor que não é seu
e nunca será
inveja do que tenho
do que sinto
não ser nada mais
é inveja
do abraço
e do sorriso
que ganho quando nasce
o dia
não preciso de mais nada
para ser feliz
de noite
tenho meu amor
que me aquece e me envolve
o que jamais terá
é inveja
e não amor
se isso for amor
que o amor mude de nome
de cor
de país
quando se ama
se ama pra valer
eu amo
e não é você

SUSPEITA

deixo
esse amor
sob suspeita
sob a desconfiança
do mais nobre
sentimento
deixo
esse amor
falar por si
amor de verdade
não precisa de argumentos
não precisa
de palavras
nem de explicações
amor
por si só
não pede nada
entrego
esse amor
a minha dor
e deixo sob suspeita
os seus olhos
ainda vidrados no meu
eu ainda me lembro
do beijo
deixo
para não errar
em julgamentos
não se julga o amor
e como se sente
o amor que sente
deixo
o amor falar por si
e se entregar
e se condenar
a viver
ou a morrer sozinho

FRIO

coração frio
coração gelado
morto
despedaçado
coração
que já não pulsa mais
que já não bate mais
coração frio
pela manhã fria
manhã sem sol
coração gelado
sem blusa
sem agasalho
coração que não pensa mais
que não sente mais
coração frio
sem vida
arranhado
pelo vento que sopra
pelas frestas da janela
coração frio
já não sente
ferido demais
machucado demais
com frio do homem
com frio do mundo
nu
sem blusa
sem agasalho
coração frio
morto
gelado

PENSO EM VOCÊ

penso em você
mesmo que eu tente
negar
penso em você
penso no seu jeito meigo
penso do meu jeito
não sou de falar
no que penso
e como penso
os dias vão passando
os sentimentos
ficando mais fortes
o pensamento voltando
mesmo que haja mais
para pensar
penso em você
no seu dia
nos seus passos
e sinto falta
das conversas
e sinto falta
quando some
pelas manhãs ensolaradas
penso em você
do meu jeito
e me entrego
a esse pensamento
e viajo
e lhe busco
e lhe acho
em meio às nuvens do céu
em meio às ondas do mar
do mar
que envolve
do mar que sempre nos envolve
penso em você
e nem sei mais o que dizer

23 de set. de 2008

POR ENQUANTO


por enquanto
encanto
por enquanto
canto
pra disfarçar
o que sinto
por enquanto
me distraio
com meus erros
por enquanto escrevo
meias verdades
por enquanto
aceito
por enquanto
eu nego
me fecho
e me defendo
por enquanto
enquanto houver
encanto
eu busco
o seu prazer
até que as horas
acabem com o que sinto
por enquanto
sobram sentimentos
sobra tempo pra pensar
e pra dizer
todo encanto terminar
por enquanto
apenas um verso
sem rima

NEGUE


negue
o amor
que sinto
negue
o amor
que dou
negue as noites
os dias
negue o tempo
que vivemos
negue o beijo
negue o sobrenome
negue tudo
negue que ama
negue que sente
que há em você
mais que amor
só desejo
negue
que não sente falta
que não lembra
que não quer
negue
a sede do corpo
a fome do beijo
negue
que suas noites
são vazias
que lhe falta amor
justamente
o amor
que eu lhe dou
negue
que não precisa
de mim
que sou assim
indiferente
negue
se conseguir

DE LADO

melhor
deixar de lado
toda raiva
toda mágoa
melhor
deixar o tempo
cicatrizar
as feridas
melhor esquecer
o que foi dito
deixar de lado
a emoção
e ouvir pelo menos
uma vez a razão
melhor relevar
cada um
com suas verdades
melhor que seja assim
antes que tudo se perca de vez
melhor mesmo
é contar até três
até dez
até mil
melhor deixar de lado
esquecer
relevar talvez
antes que tudo termine
de vez

ENTENDIMENTO


o que falta
é a capacidade
de entender
o que pensa
o que falta
é entendimento
e a capacidade
de aceitar
as diferenças
o que falta
é respeito
e um pouco de
bom senso
o que falta
é coragem
de aceitar
os próprios defeitos
falta entendimento
para saber
que somos limitados
que somos falhos
que não somos
tão racionais
e imperfeitos
falta coragem
e um pouco mais
de decência
falta
entendimento
para estender as mãos
e amparar
nosso irmão

NECESSIDADE

queremos amor
temos
necessidade
de calor
temos fome
e a necessidade
de alimento
sede
e a necessidade
do beijo
queremos sempre mais
necessidade
de não sermos iguais
queremos sorte
para vencer
necessidade de viver
queremos
um abraço
um carinho
necessidade enorme
de sermos
amados
queridos
queremos amparo
queremos abrigo
necessidade de segurança
de conforto
somos assim
extremados
em nossas necessidades
mais absurdas

ENTRE GRADES


quem vive
entre grades
e gritos
quem vive
fechado
cercado de concreto
quem vive
sem verde
e sem verdades
quem vive
sem o cheiro
de terra molhada
quem vive
sem amor
e sem fé
quem vive
entre grades
e berros
quem vive
no absurdo
de um céu cinza
quem vive sem sorriso
e sem carinho
quem vive
fechado
num quarto apagado
quem vive de véu
e chorando
toda dor
quem vive
entre grades
e o terror de não mais
poder viver