27 de set. de 2008

FICAR

não vou mais
me transformar
ficar escolhendo
sentimentos
não vou mais ficar
olhando tudo
de cima do muro
vou descer
e encarar a vida
que tenho
não vou mais
ficar
escondendo meus sentimentos
não vou mais
ficar disfarçando o que sinto
há muito mais
em mim
que deixo escondido
não vou mais ficar
reclamando
dos dias sem sol
vou agradecer
os dias de luz
não vou mais ficar
escondendo meu rosto
nem ficar mais chorando
vou é viver
o que a vida me der
o que a vida me oferecer
não vou ficar
não mais

HOJE EM DIA


vivemos
presos
nos sonhos
que não nos cabe mais
sonhar
vivemos
amarrados
nos pesadelos
de querer saber
como será o dia amanhã
hoje em dia
vivemos
paranóicos
loucos para querer chegar
loucos para querer
nem sabemos ao certo o que
vivemos
loucos demais
para saber
para ter paz
alucinados
num mundo que corre
apressado demais
vivemos
uma vida
sem sentido
buscando sentido
para nossas vidas
vivemos presos
de asas cortadas
voando por aí um vôo raso
e de instantes
vivemos presos
aos sonhos
que não podemos mais sonhar

CASTIDADE

onde foi
parar
todo aquele
amor por si
onde foi parar
aquele respeito
pelo corpo
e pela alma
não há mais
nem a castidade
da alma
que foi violada
sem piedade
sem culpa
aonde foram
os velhos valores
não há mais nada
do que antes havia
acabaram com tudo
mudaram o mundo
e seus valores
mudaram as cores
tudo se fundiu
numa asneira enorme
não há mais vida
nem felicidade
nem mesmo mais
a castidade da alma
o mundo se perdeu

NINGUÉM GOSTA

ninguém gosta
de acordar cedo
de levar um fora
ninguém gosta
da segunda-feira
de sexta feira com chuva
ninguém gosta
de não ter ninguém
ninguém gosta
de sentar-se a mesa
sozinho
ninguém gosta
de não ter amigos
não ter alguém esperando
ou não ter uma rosa
no jardim
ninguém gosta
de esperar demais
a hora que não chega
ninguém gosta
de ter na vida problemas
o que se quer é paz
ninguém gosta
de mal humor
de ódio
de rancor
o que se quer
é sorriso
ninguém gosta
de tardes
olhando pela janela
sem ter uma esperança
um motivo
uma razão
ninguém gosta de viver
em vão

FELICIDADE MATA


felicidade
incomoda
felicidade mata
mata de desgosto
quem não gosta
e quem não sabe ser feliz
felicidade mata
a solidão
mata a tristeza
e todo aquele
que se esconde
da felicidade alheia
felicidade alheia mata
incomoda
deixa em fúria
quem escolhe viver
no escuro
quem escolhe
ficar nas trevas
sem sorriso
sem fascínio
felicidade mata
de insônia
quem torce contra
a felicidade do mundo
quem não sabe
e quem não quer ser feliz

FRÁGIL CRISTAL

nosso
coração
é frágil cristal
que quebra
à toa
com um suspiro
nosso
coração
é frágil cristal
que com o amor
fica ainda mais fortalecido
somos assim
frágeis
delicados por excelência
somos presente
sem embrulho
ou caixinha de surpresas
somos belo poema
de versos falidos
somos
frágeis
em nossa essência humana
nosso coração
frágil cristal
necessitado
de cuidados especiais
carente de sorrisos e afagos
somos frágeis
transparente cristal

25 de set. de 2008

PELE


a pele arrepia
com o toque
com a língua
a pele sente
o frio
o calor
a pele se arranha
se machuca
a pele se cura
a pele resseca
a pele enruga
a pele estica
modifica
indica
a pele veste
a pele é branca
é negra
é amarela
vermelha
a pele
é o que faz
coração pulsar
sangue ferver
a pele
é que faz
o perfume exalar
seu cheiro
a pele
faz querer demais
o toque
a língua

DOCE TENTAÇÃO

seguem calmas
as manhãs
seguem serenas
as minhas tardes
como nunca foram
como há muito tempo
não eram
segue calma
minha vida
pelo mesmo caminho
de sempre
e o vento
cheio de manhas
traz a doce tentação
da saudade
seguem calmas
minhas horas
como há muito tempo
não eram
e da minha janela
sinto a brisa mansa
da doce tentação
da lembrança
que eu sei
um dia o tempo apaga


O CORPO FALA

o corpo fala
o corpo pede
o corpo cede
o corpo cala
o corpo adoece
o corpo enlouquece
o corpo diz
entrega
o corpo cresce
o corpo vive
o corpo morre
o corpo dança
o corpo dorme
o corpo
a extensão da vida
o corpo fala
sem palavras
o corpo baila
por si só
o corpo encanta
canta
fascina
seduz
ensina
o corpo reclama
o corpo
espelho da alma
do que veste
do que sente
de tudo o que faz
de como vive
o corpo fala
berra
urra

INCONSCIENTE

chamo você
insconsciente
chamo você
mesmo sem querer
quero sempre
chamo você
nos meus sonhos
nas minhas manhãs vazias
nas minhas noites carentes
chamo você
quando está ausente
mesmo insconsciente
chamo você
para perto de mim
nem quero chamar
e chamo
não quero precisar
e preciso
inconsciente
chamo seu nome
chamo seu corpo
chamo o carinho gostoso
você
já está em mim
fincada em minha memória
trancada no meu consciente
e mesmo inconsciente
chamo você
sempre para perto de mim