1 de nov. de 2008

DOS MALES O MENOR


ainda bem
que o que
sente é amor
imagina se não fosse
dos males o menor
só não sei
que amor é o seu
ainda bem
que não é ódio
se fosse
eu estaria morta
dos males o menor
se pode mesmo
chamar
tudo isso de amor
dos males o menor
é ciúmes
a certeza
que sou sua
e demais ninguém
sorte minha
ser amor
o sentimento que tem
em você
se fosse raiva estaria em pedaços
despedaçada
dos males o menor
ainda bem
que é amor

FALHA HUMANA

perdoe
sou humano
demais
cheio de falhas
cheio de defeitos
às vezes
atropelo
me esqueço
e minto
perdoe
sei que errei
falhei
quantas vezes mais
quando não podia errar
falhar
esquecer
perdoe
sou humano demais
e erro
querendo
não errar
me perdoe
eu tento
quando vejo
estou além das nuvens
estou voando alto
voando
me perdoe
sou humano demais
cheio de falhas
defeitos
e amor
amor demais
por você

PERTO DEMAIS

perto demais
dos olhos
que cercam
e envolvem
perto demais
do coração
para que a emoção
não acabe
para que sinta
o leve pulsar do amor
perto demais
do corpo
que atrai
perto demais
da boca
do beijo
perto demais
de todos os desejos
que por você
me alucinam
perto demais
para que tudo
fique ainda mais intenso
fique ainda mais vivo
diante do que sinto
perto demais
de você
enlouqueço
perco o chão
meu ar
a respiração

DE TODAS AS CORES


de todas
as cores
gosto
das que estão em você
a cor
da sua pele
a cor das suas roupas
íntimas
das suas meias
a cor
do lençol da sua cama
a cor
das paredes do seu quarto
de todas as cores
as que lhe cercam
o seu azul
o seu amarelo
o seu preto
de todas as cores
as que estão em você
as cores do seu céu
as cores da sua noite
as cores
que deixam ainda mulher
o brilho
dos seus lábios
dos seus olhos
a cor natural do seus cabelos
da pele
de todas as cores
as que estão em você
no seu mundo

NEUROSE


seus gritos
não serão ouvidos
a cidade
dorme
seu choro
não será sentido
a cidade
anda preocupada demais
não é com você
sua neurose
não preocupa mais
nem alarma
a cidade cansou
de chorar seu choro
se ouvir seus gritos
chega
dessa neurose
chega de gritaria
larga de besteira
vá viver sua vida
vá fazer acontecer
pare de se lamentar
chorar
gritar
a cidade precisa dormir
descansar
pare de bobeira
a vida passa
depressa demais
a cidade corre
e sua neurose
vai te deixar para trás
busque seu equilíbrio
encontre sua paz
mande embora
de vez
essa sua vontade
de chorar
de gritar
neurose absoluta

IMAGINAÇÃO FÉRTIL


dizer
o que
falar
o que
diante de ti
as palavras
se perdem
a imaginação
que é doce
fértil
fica muda
calada
perdida
dizer
o que
se diante
de ti
me desarmo
contemplo
desejo
dizer o que
se as palavras congelam
se coração acelera
diante de ti
minhas pernas
fraquejam
coração dispara
os poros todos dilatam
em mim
só o desejo
a vontade de ter
sempre e mais
um momento
dizer o que
se tua cor é incêndio
se teu beijo é a água
se teu amor
é amor que sacia
que encanta
e vicia

DOENÇA


quando
um querer
demais
perde
a razão
deixa de ser
amor
passa a ser paixão
doença
quando um querer
extrapola
e sai
por aí
correndo sem rumo
gritando
para o mundo
não é
mais amor
é doença
sem cura
quando o amor
se perde
na euforia louca de amar
e vira domínio
e vira insensatez
não é amor
é paixão
é doença

ASSOMBRO


impossível
viver
desse jeito
igual você
levando sustos
a cada esquina
tropeçando
na barra da própria calça
impossível
viver
de assombro
assustada
andando pela calçada
sem olhar
as pedras
atravessando sem olhar
os carros que passam
impossível
andar assim
conturbada
em total assombro
sem ver a luz
sem enxergar nada
não há porque viver
no escuro
abra os olhos
faça de tudo para viver
uma vida
sem assombros
sem escuridão
há tanta luz
há tanta beleza
por que viver fechada
numa vida de assombro
de depressão
plena escuridão

DIFERENTES

queria
entender
de onde tirou
a ideia
que somos iguais
ao menos parecidos
em nada
totalmente diferentes
no modo de viver
no jeito de amar
de querer
de sentir
de pensar
em nada somos iguais
aliás
diferentes
em tudo
meu mundo quadrado
o seu triângulo
você em delírios constantes
eu
ficando em minhas razões
não vem me dizer
que somos iguais
que amamos o mesmo
amor
nenhum amor
é igual
o amor é como nós
diferentes

CONCUPISCÊNCIA HUMANA


essa natureza
que não entendo
natureza distorcida
fazendo o que quer da vida
atendendo
aos apelos do corpo
sem pensar
nos poros morrendo
a cada momento
na pele flácida
esse lado
de cada um
em sentir mais prazer
nem que pela dor
natureza distorcida
que não entendo
a natureza
não é assim
torta
nem se engana
nem acha
apenas acontece
e não segue instintos
apenas
deixa acontecer
a natureza humana
fraca
se perde
se desvia
inclinada
ao delírio
ao suicídio