19 de dez. de 2008

ENCONTRO*

encontro
tantas partes
de mim
em poemas
que leio
como se eles
soubessem
mais de mim
do que eu
encontro
tantas histórias
como a minha
e nem fui eu
que as escrevi
encontro
amores como o meu
e eu nem sequer
amei
encontro força
nos meus erros
porque sou humano
eu sei
e erro
encontro
força para continuar
quando olho para trás
e vejo o quanto já
consegui
e o quanto eu já andei
encontro
minha paz
quando a noite
chega
e me encontro
com meus sonhos...

EU ESPERO*

eu espero
o tempo que for
preciso
para encontrar
minha paz
para encontrar
meu caminho
eu espero
sem ter pressa
pelo meu destino
enquanto isso
conto as estrelas
do céu
enquanto isso
escrevo poesias
eu espero
todos os dias
por um milagre
e nas noites
espero uma estrela cadente
para que possa fazer
um pedido
não há mais o céu azul
nem estrelas cadentes
minha esperança
são os milagres
eu espero
sem pressa
meu dia chegar
enquanto não chega
eu vivo

ATÉ QUANDO*

até quando
vamos nos comportar
como animais
será
que algum dia
voltaremos
a usar
a cabeça
até quando
vamos nos comportar
feito imbecis
agindo
sem pensar
seguindo
apenas os instintos
até quando
vamos ficar aprisionando
os animais
eles devem ser livres
até quando
vamos ser tolos
fingidos
até quando vamos
vestir nossa carapuça
de homens tolos
até quando
vamos agir
como animais que não somos mais
há muito tempo

VOU INDO*


vou indo
andando
trilhando meu caminho
se não há
caminho
uso minha foice
meu machado
e abro novos caminhos
sempre foi assim
por toda minha vida
minhas mãos
sangraram
por muito tempo
vou indo
tentando ser feliz
do meu jeito
no meu caminho
tem pedras
mas também tem flores
no meu caminho
de espinhos
e também um vento fresco
vou indo
sem pensar muito
no que virá
viver hoje
já me basta
vou indo no mesmo caminho
aberto faz tempo
pelos que passaram
antes de mim
se vou chegar
não sei
mas vou indo
mesmo assim

VELHOS TEMPOS*

como nos velhos
tempos
poder brincar na chuva
jogar futebol na rua
sentar no banco das praças
como nos velhos tempos
escrever cartas
de amor
postá-las
esperar dias e mais dias
como nos velhos tempos
todos sentados
em volta da mesa
jantando juntos
rindo
conversando
como nos velhos tempos
andar de mãos dadas
falar do futuro
pensar nos estudos
pensar nos filhos
na casa
como nos velhos tempos
namorar no portão
respeitando
os pais
televisão
branco e preto
fotografia revelada
como nos velhos tempos
sem raiva
sem preconceito
livres de tudo
andando
de encontro ao vento
tomar chuva
jogar "pelada"
namorar
ou ficar até tarde com os
amigos na calçada

POR QUE ESCREVO*

escrevo
porque assim
me sinto vivo
escrevo
porque assim
posso crer
num mundo melhor
escrevo
porque o amor
transborda em mim
escrevo
porque assim posso amar
sem me preocupar
com credo
com raça
com cor
escrevo
para me sentir livre
e para que me aproxime de Deus
escrevo
para me aproximar
das pessoas que amo
e quero bem
escrevo
para me sentir
amado
vivo
escrevo para me libertar
das minhas culpas
e dos meus pecados
escrevo
porque é o que sei fazer
amar
respirar
viver

MÁQUINA DE ESCREVER*

onde
está minha
velha máquina de escrever
onde minhas poesias
gritavam
e as palavras escorriam
livremente
para o papel
lembro-me
da felicidade que sentia
ao ver o papel
com letras gravadas
cheio de poesias
onde está
a máquina de escrever
lembro-me
da escrivaninha
e do abajour
ainda tenho papéis
datilografados
na velha máquina de escrever
lá estão
pensamentos
e minhas verdades
parte do meu tempo
e do tempo
que o amor
ainda era uma verdade
que saudades

NOVOS TEMPOS*

olho adiante
para os novos
cadê o amor
onde estão os sentimentos
olho para frente
para o futuro
que chega
sem avisar
e cada vez mais
rápido
novos tempos
novo jeito de amar
de viver
nova maneira
de sentir
de se entregar
de dizer
eu te amo
nada restou
do que era bom
nada ficou
nem um pouco do velho amor
não sobrou nada
eu olho adiante
e sinto medo
que saudades
que tenho do meu ontem
do tempo
da conquista
e dos velhos romances
olho preocupado
com o que está por vir
esses novos tempos sem amor
me assustam

FÉ ABALADA*

no que
devo crer
minha fé
anda abalada
faz tempo
que não creio
mais em nada
apenas vivo
dia após dia
já nem sei mais
o que é fé
não creio
mais
nem sei mais
rezar
orar
pedir
nem agradecer
agradeço mais
agradecer o quê
a sorte que me falta
minha fé abalada
me faz seguir
sem acreditar em nada
o amor morreu
o mundo está doente
as pessoas se matando
acreditar em quê
por quê
pra quê
já não rezo mais
nem oro mais
nem peço
nem agradeço
fé abalada

18 de dez. de 2008

MEU ONTEM


Meu hoje
Ainda traz
As cicatrizes
Do meu ontem
O vento
Ainda sopra
As velhas sensações
Do meu ontem
Que quero esquecer
Vivo
Ainda
As sombras
E os pesadelos
Do meu ontem e
Sobrevivo
Sorrindo e me
Fazendo forte
Meu ontem
É passado
Ficou para trás
Já não importa mais
Meu hoje
É o que vivo
E o que me importa
Meu ontem
Com certeza
O tempo apaga
Essa poesia faz parte do Livro Mulheres Volume II e foi escrita especialmente para minha amiga Selma.