2 de fev. de 2009

BAGUNÇADO*

não pense
que é assim
bagunçado
não pense
que pode chegar
e deixar
ainda mais revirado
o que fez
você pensar
que meu coração
era mundo desabitado
era terra sem dono
você
é dona de si
acha que é só entrar
e se instalar
se apossar
dos meus sentimentos
não pense
que deixo
meu coração
sem proteção
sem armaduras
não julge
pelo que viveu
não invada
se não convidarem
não pense
que é assim
bagunçado
sou dono do meu coração
vem cheia
de gracejos
cheia de manhas
querendo
me seduzir
meu coração
não é bobo
e nem bagunçado
ele tem dono
seu dono sou eu

DORES DO MUNDO*

não quero saber
das dores
do mundo
de dores
já chegam
as minhas
que mal consigo
carregar
como dizia
um velho amigo
cada um com seus
problemas
ah se fosse assim
se conseguíssemos
ignorar
o que acontece
diante dos nossos olhos
choramos
as dores do mundo
as dores
que não são nossas
não dá para fechar os olhos
fazer que não
é conosco
que nada acontece
à nossa volta
ah se pudesse ser assim
arrancar
do peito
esse coração
que bate
e chora
e sangra pelas dores
do mundo
toda nossa dor também

ME DEIXE MUDO*

me fale
do seu amor
me convença
de tudo
o que sente
me deixe mudo
pasmo
louco
me convença
diga o que sente
sem rodeios
me faça crer
no seu amor
me faça feliz
dou o mundo
me deixe mudo
me faça crer
de novo
no amor mais absurdo
mais louco
inconsequente
me contagie
com sua felicidade
com sua alegria
me deixe mudo
calado
sem palavras
dou o mundo
por suas verdades
me dê mais de você
e me arraste
para longe de tudo
e cada vez mais
para perto de você
me faça acreditar
no seu amor
me deixe mudo

O MESMO ASSUNTO*

tento
fingir
dizendo
que está tudo
bem
mas da sua boca
sempre o mesmo
assunto
tento fingir
fazendo
que é tudo novo
tento
fingir
que não ligo
que não me importo
viajo
em pensamentos
querendo fugir
do mesmo assunto
e você alí
parada
querendo me convencer
dos sonhos que são seus
não meus
tento trazer você
para a realidade
que você não vê
para o mesmo sonho
para o mesmo mundo
você não muda
e de você
sempre o mesmo assunto

PÓ*

hoje
tirei
o pó
que estava
grudado
em minha cabeça
revirei
os armários
joguei
no lixo
as máscaras
que usei
hoje
tirei o pó de mim
doei roupas velhas
sapatos
que não usava
hoje
já sei quais
são de fato minhas verdades
tirei
o pó da minha mente
lavei
com perfume
meus instintos
hoje
vejo melhor
o que eu não via
tirei o pó
que cobria meus olhos
tirei o pó
mudei
tudo de lugar
pra não mais me enganar
pra não mais
ter desculpas
pra não mais ter
que me desculpar
hoje
tirei
o pó de tudo
tirei o pó de mim

RASURAS*

queria
saber
tentar entender
o que você
foi na minha vida
rascunho
rasura
queria
saber
se foi você
ou se fui eu
que deixou
o erro acontecer
os dois
quem sabe
queria saber
como se apagam erros
como se apagam rasuras
queria saber
se há algum lugar
onde eu possa me esconder
pra esquecer
você
meus erros
minhas rasuras
queimar meus rascunhos
queria saber
se foi você
ou fui eu
quem pecou
nas horas
que passamos juntos
queria saber
o que você foi
razão
perdição
momento
loucura
rasura
rascunho

SEXO*

vem devagar
no carinho
no abraço
que aquece
no beijo
que mexe
nas mãos soltas
que procuram
o ninho
vem devagar
vem quente
desnudando corpos
bagunçando
fazendo gritar
suar
suspirar
vem bailando
gingando
onde dois
viram um
onde dois
se fundem
vem
pra revirar
transformar
ficar ou passar
vem do carinho
do apego
da vontade
do desejo
que sempre se tem
e sempre se terá
é bom demais
do beijo
até a arte
final de amar

SUJEITO ESTRANHO*

sujeito estranho
anda pelos cantos
com medo
de tudo
sujeito estranho
mal vestido
camisa amassada
olha
o mundo
desconfiado
se sente sempre ameaçado
carrega
uma pasta vazia
cabelos despenteados
e olhos carregados
de sono
sujeito estranho
fica sozinho
não fala com ninguém
nem mesmo com Deus
só fala consigo
tem medo de tudo
sapatos
sujos
calça manchada
tenta sobreviver
mais um dia
num lugar que não é seu
nem sei se há lugar
para ele
sujeito estranho
calado
suspeito
louco
ele ou eu

MADRUGOU*

o sol
madrugou
antes mesmo
do galo cantar
e se pôs
a cantar
seus raios iluminados
o sol
madrugou
antes mesmo
da madrugada se despedir
sem desculpas
ocupou seu lugar
no horizonte
e aqueceu
antes que o frio
sentisse medo
o sol
madrugou
na vida
que morria
no tédio
de mais um dia
e fez nascer
de novo
o novo
o sol
madrugou
antes
da noite
deixar o gosto
de mais uma noite
como tantas outras
o sol
entre as nuvens
madrugou
cansado
de fazer o que sempre fazia
madrugou
e mudou
renasceu
reviveu

TEU GOSTO NA MINHA BOCA*

depois
de amar
fico
com teu gosto
em minha boca
fico
com teu cheiro
em meu corpo
fico
contigo
no pensamento
depois
de amar
fico
com vontade
gostosa de quero mais
e peço beijo
e quero abraço
e ter de novo
sem medo
teu gosto na minha boca
e ter teu beijo
cada vez mais
depois do amor
quando o dia chega
não faço mais nada
esqueço
das horas
esqueço do mundo
me tranco
só pra ter um pouco
mais
teu gosto
em minha boca