27 de jan. de 2010

AMOR SECRETO

Tenho guardado

Do lado

Esquerdo do peito

Um amor secreto

Um amor

Que não conto

um amor que não digo

Um amor

Que não confesso

Um sentimento

Que me faz levitar

Faz-me ainda

Mais mulher

Um amor secreto

Que fica rondando

Minhas noites

Que fica

Do lado

Vasculhando e invadindo

Meus momentos

De solidão

Tenho guardado

Dentro de mim

O gostoso

Amor secreto

Que não confesso

ELEGÂNCIA

Desfilo

Sutil por aí

A elegância

Que se fez

Naturalmente

Não tenho

A pretensão

De ser melhor que ninguém

Apenas

Sei que nada

Pode apagar

Meu brilho

Que é natural

Desfilo

Por entre as pétalas

Que o vento

Trouxe

E derramo

Por esse imenso jardim

Minha doçura

Meu desejo

De encantar

E mudar tudo o que é feio

Sem querer mais nada

Caminho

Com elegância

Porque sou assim

1 de jan. de 2010

DEGRAUS*

não sei
se descemos
degraus
ou subimos
degraus
.
não sei
se a escada
da vida
começa do topo
para baixo
ou de baixo
para cima
.
não sei
se subo mais
ou se desço mais
do que subo
tantos são os degraus
.
não basta
viver
é preciso subir
os degraus
um a um
devagar
subir essa escada
sem corrimão
.
não sei
se há fim
nisso tudo
o que haverá no topo
ou no fundo do poço

DE NOVO*

de novo
novos dias
de novo
novas promessas
de novo
novas orações
novos abraços
novos sorrisos
de novo
tudo de novo
tudo da mesma maneira
como sempre foi
de novo
as mesmas horas
os mesmos problemas
da vida moderna
o mesmo sufoco
de novo
tudo de novo
na mesma vida
que sempre
será a mesma vida
de novo
as velhas idéias
os velhos arrependimentos
as mesmas vozes
as mesmas canções
tantas vezes já cantadas
de novo
tudo começa
devagar
ainda com o mesmo sono
ainda engatinhando
de novo
até que tudo
de novo
se faça

QUEBREI MEU RELÓGIO*

quebrei meu relógio
não quero mais
ficar escravo
das horas
não quero mais
ficar desesperado
em chegar
não vou mais correr
quero andar
quero respirar
calmamente
quebrei meu relógio
para não ver
o tempo correndo
e eu correndo
atrás do tempo
quero viver
mais lentamente
tudo o que a vida me der
quero curtir
mais a vida
quero andar sem pressa
dormir sem pressa
poder sonhar
e fazer das minhas noites
noites tranquilas
quebrei meu relógio
quebrei as correntes
que me deixavam preso
não sou mais
por enquanto
e não sei por quanto tempo
escravo
desse tempo

ESQUECIMENTO*

melhor
não lembrar
o que faz sofrer
melhor
deixar
ali
guardado
nas caixas douradas
do esquecimento
melhor
não reviver
o amargo gosto
das palavras
que não fazem bem
melhor
deixar
no lado da memória
que não se lembra
deixar
o desamor
a desarmonia
no esquecimento
não há porque querer
sofrer
não há porque
querer
melhor deixar
deixar passar de vez
deixar ali
fechado
amarrado
nas caixas douradas
do esquecimento

FLORES*

colherei
as flores
que plantei
e replantarei
das flores
as sementes
não mais
no mesmo solo
cansado
não mais
sobre o mesmo sol
sobre o mesmo vento
plantarei
as novas sementes
das flores
que colhi plantadas
nas areias do meu deserto
as sementes
plantarei
em novo solo
e colherei no amanhã
as novas flores
das velhas flores
que já colhi
flores que já alegraram
meus dias
e agora me dão sementes
para um novo solo
para um novo amanhã
flores
sorridentes
flores

MOTIVOS*

motivos
quero mil
que me façam sorrir
não quero
mais me aborrecer
com as velhas idéias
.
motivos
quero muitos
para buscar sempre
a alegria
cada vez mais poesia
motivos os melhores
que me façam amar
ainda mais
.
motivos
quero todos os melhores
para viver cada vez mais
a sorte
que tenho
e descobrir sempre no abraço
dos amigos
meu maior presente
.
motivos
quero muitos
para continuar vivendo
para continuar sorrindo
para continuar
como sempre
escrevendo
.
milhões
de motivos
para seguir nessa estrada
de poemas

CANÇÃO DO ANO NOVO*

vem um novo vento
um novo dia
uma nova hora
vem de novo
o ano novo
.
vem cansado
da noite acordada
das luzes no céu
vem cheio
vem de barriga cheia
.
vem de novo
as velhas esperanças
os velhos sonhos
desejos
as velha fé renovada
.
novos ventos
novos ares

GAIVOTA*

gaivota
voou
avisando
que novo dia chegou
voou
por entre as
ondas
do mar
voou
procurando um novo lugar
para pousar
um lugar
longe de tudo
longe do mundo
gaivota
andou nas areias
mansas
da praia morta
já não havia mais nada
apenas
o dia novo
gaivota voou
para longe
do mar negro da solidão
buscou
o que de melhor havia
barulho
alegria
vida