14 de fev. de 2011

cantam
os sábias
os pardais
os rouxinóis
os colibris
cantam
porque
só sabem cantar
porque só
sabem voar
nessa imensidão
desse céu
morrerão
cantando
os sábias
os pardais
os rouxinóis
morrerei eu
também
porque não sei
cantar
porque não sei
voar
e o céu
está bem longe de mim
dorme
ainda
é cedo
descansa
seu corpo
sua mente
deixa
que eu viva
por você
esses instantes
dorme
logo o sol
desperta
logo a vida
bate a porta
logo não haverá
mais tempo
para nada
então
esquece tudo
dorme
tranquila por mais
alguns instantes
ainda
há tempo
deixa
que eu viva
esses segundos
por você
antes que o sol
nasça
e a vida peça seu
café da manhã
e se valer à pena
viver
confia
eu acordo você
passam
por mim
essas mulheres
com suas bolsas
gigantes
coloridas
com seus sapatos
de salto alto
apertados
passam
por mim
com seus olhares
de perdidos
olhares
de dor
passam
a desfilar
nessa passarela
de concreto
seco
passam
por mim
essas pobres
desconhecidas
jogando
no ar
seu veneno
querendo
de mim
quem sabe
poemas
um verso apenas
um bom dia
passam por mim
e lhes dou
meu silêncio
não vejo
ninguém
nas janelas
as luzes
estão acesas
não há ninguém
somente
eu
a olhar
o que ninguém
mais vê
talvez
alguém me olhe
de longe
talvez
de longe
eu não vejo
ninguém
só as janelas
cheias
de poeira
somente
as luzes acesas
não ninguém
louco como eu
não há mais
o que fazer
vida demais
para viver
e eu olhando
a poeira
nas janelas
que seja
sempre assim
que nada
possa mais
desviar
meu rio
que nada mais
possa desviar
meus olhos
mudar meu foco
que eu fique
aqui
por um longo
tempo
não sei há
melhor
lugar
também não sei
se gostaria
de estar
em outro lugar
que seja sempre
assim
acolhedor
e que minha alma
enfim
beba essa paz
não pode
haver
melhor lugar
não tem sol
o céu
está
azul
não há sol

barulhos
das espaçonaves
e dos pássaros
que sempre
cantam felizes
e nem
sabem
porque estão felizes
talvez
cantem
de tristeza
de solidão
não tem sol
o sol
arde de tanto azul
não há sol
nem nuvens
nem nada
apenas
os sábias
na grama
verde
comendo sei lá
o que
felizes
e eu sei
que felicidade é essa
penso
em você
no seu gostar
penso
na explosão
dos sentimentos
na confusão
onde instantes
se encontram
e nos desenhos
que cada um de nós
desenha
penso
em você
nas palavras
doces
e na sua necessidade
de gostar
de se sentir
querida
amada
penso
em você
na sua vida
de como está
de como se sente
fico na janela
contemplando
esse sentimento
até que a noite
chegue
e eu
feche a janela
o dia
se faz calmo
o mundo
se consumindo
na pressa
de chegar
e eu
aqui
curtindo
a nostalgia
desse
amanhecer
o dia
se faz calmo
a brisa
sopra fresca
o barulho
é quase nada
e a solidão
não me assusta
não estou sozinho
estou
com meus pensamentos
e cheio
dessa paz
acolhedora
o dia
se faz calmo
e o mundo
lá fora
tão distante
de mim
as poucas
pessoas que
passam
por mim
são indiferentes
a mim
e eu
indiferentes
a elas
elas não me conhecem
e eu
as desconheço
posso
respirar
aliviado
e contemplar
sem pressa
a beleza
desse lugar
posso respirar
sem medo
de engasgar
na minha própria
pressa
ninguém
me vê
eu não vejo
ninguém
só o sol
só esse lugar
que existe
não mais somente
em mim



nunca duvidei
que chegaria
onde estou
nunca duvidei
que essa paz
um dia de verdade
existiria
em mim
nunca duvidei
que haveria
em algum lugar
um jardim
de repleto
verde
onde eu poderia
ouvir
os pássaros
cantando
e eu
pudesse
ver nascer o sol
no meu silêncio
nunca duvidei
e ainda
quero mais
voar mais alto
me tornar
a águia
que sempre sonhei
eu
nunca duvidei