10 de mar. de 2011

é um misto
uma mistura
louca
de sentimentos
um pouco
de raiva
de saudades
de frustração
palavras
que precisam
ser ditas
e morrem
secas
nas garganta
às vezes
choro
de tudo
às vezes
caio
em risadas
de tudo
que parece
ser
loucura
é um misto
de alegria
de tristeza
um pouco
da morte
e um pouco
de vida
às vezes
enlouqueço
em outras
simplesmente
esqueço
não gosto
das palavras
que me soam
vazias
inverdades
ditas
por não ter
o que dizer
não gosto
dos sorrisos
amarelos
das bocas
podres
não gosto
dos abraços
vazios
de sentimentos
é preciso
ter verdade
em tudo
para que eu
possa me sentir
liberto
não gosto
do gosto
amargo
nas manhãs
que nascem
solitárias
não gosto
das flores
em vasos
de cristais
flores
nasceram
para florir
jardins
não gosto
de flores podadas

2 de mar. de 2011

estão
enlouquecendo
estão perdendo
a razão
estão
se matando
estão
à toa
vagando
são
tantos
na multidão
todos
na mesma
direção
não há mais
por do sol
nem nuvens
nem noites
nem lua
estão
perdidos
atordoados
medrosos
sem rumo
sem mundo
sem nada
estão chorando
e não
há mais
lágrima
alguma
vazios
sem sentimentos
estão
com medo
com medo de tudo
da vida
do mundo
não
sou
melhor
que ninguém
e ninguém
é melhor
do que eu
não sou
maior que
ninguém
e ninguém
é maior
do que eu
sou
feito
de mim
dos meus erros
das minhas
guerras
não voou
acima
de ninguém
e ninguém
voa acima
de mim
planto
flores
por onde passo
e não olho
para trás
doeria
demais
ver todas as flores
arrancadas
mortas
não sou
melhor
que ninguém
e ninguém
é melhor
do que eu
o hoje
é pouco
demais
e nada
posso
esperar
do amanhã
o que faço
vivo
tudo
sem viver
cruzo
os braços
tenho
saudades
do tempo
de ontem
onde
eu vivia
sossegado
sem ter medo
de nada
confiar
em quem
quem está
do seu lado
onde estão
os amigos
as pessoas
queridas
o amanhã
os jardins floridos
o hoje
é pouco
demais
devo viver
o que me resta
e o que me dá
a vida
ou cruzo
os braços
e espero
o amanhã
que não pode chegar
fazem
sexo
sem amor
deixam
os corpos
a mostra
a portas
de seus templos
abertas
não se preocupam
mais
com nada
não há
mais
sentimentos
que valham
fazem
coisas
sem sentidos
fazem
das calçadas
frias
camas
sem lençois
fazem
o que não devem fazer
andam
por ai
dispersos
sem medo
andam
sem fé
não temem
a Deus
nas bocas
hálitos pobres
palavras
vazias
que ainda escorrem
fazem
e nem sabem
o que fazem
e eu
vou me fechando
cada vez
mais
nessa minha
concha
vou me afastando
cada vez mais
de todo
mundo
não falo mais
desconheço
até mesmo
minha própria
voz
ainda
querem
de mim
sorrisos
que motivos
há para sorrir
e eu
vou
morrendo
um pouco
a cada dia
mais rápido
do que devia
frustrado
impotente
infeliz
vou me fechando
cada vez
mais
nessa minha concha
sem saída
poesias
estão morrendo
as flores
estão murchando
o amor
esvaindo-se
olhares
perdidos
corações
vazios
poetas
loucos
amantes
abraçados
a solidão
não há mais
sol
há tempos
as horas
voam
o tempo
não deixa
mais rastros
fotografias
se apagam
papéis
amarelam
se rasgam
somem
palavras
não ecoam
mais
tudo está frio
sem calor
sem amor
começo
a ter medo
tanta
maldade
a vida
já não vale
nada
está todo
mundo sem amor
fazem guerra
se matam
começo
a crer
que o amor
de verdade
morreu
não há mais
porque
as flores
estão sem perfume
os ventos
já não resfrescam mais
chove
quando era pra fazer
sol
e há terra
seca
onde deveria
existir mar
começo
a ter medo
medo
de tudo
medo de quem
me olha
medo
do que pensam
de mim
Hoje, está tudo assim feio demais...
Pessoas se agridem sem ter porque...
A vida está tão sem sentindo...
Aquele amor que mantinha todos vivos
há muito morreu...
Depois disso, morre a vida um pouco
a cada dia...
Não há mais porque escrever...
Não escrevo sem amor...
Não quero motivos para escrever
quero apenas inspiração...
O velho amor ressuscitado...
A beleza e a vontade de viver
como antigamente...
Como nos tempos dos pais
dos pais dos meus pais...
Sinto-me triste...
Maldade demais...