11 de mar. de 2011

és ainda
no meu dia
o sol
és ainda
na minha vida
o amor
que me sustenta
és ainda
ainda
meu caminho
minha prudência
és
minha comunhão
minha confissão
minhas verdades
és ainda
o que faz
meu coração
bater
disparar
és ainda
quem
me faz sorrir
és ainda
quem me
faz voltar
a beleza
que vejo
a saudade
que sinto
és ainda
quem me faz
escrever
quem entende
meus tormentos
meus delírios
és ainda
e sempre serás
minha rosa
preferida
se não for
hoje
amanhã
já era
os ventos
mudam
de direção
palavras
secam
pessoas
morrem
momentos
se perdem
se não for
hoje
se não for
hoje
amanhã
não será
caminhos mudam
pessoas mudam
eu mudo
calo
entristeço
enlouqueço
se não for
hoje
que importa
se haverá
ou não amanhã
que importa
se haverá
ou não sol
se não for
hoje
esqueça
amanhã
já era
Tanto ainda para viver...
Tanto ainda que conquistar...
Não quero e não vou me perder e
m fantasias de momentos...
Pode ser que amanhã
eu me arrependa por não ter vivido...
Pode ser que amanhã
eu agradeça por ter resistido...
Pode ser que não haja amanhã...
Eu me conheço...
Sei dos meus limites...
Sei até onde posso chegar...
Não posso deixar
que instintos me dominem...
Não posso deixar
que meus desejos
falem por mim...
Sou racional...
Há tempos
deixei de ser um cavalo xucro...
estou
ácido
azedo
estou fora
da geladeira
com
meu prazo
de validade
vencido
estou
estragado
mofado
embolorado
fruto
jogado
semente
que não germinou
sou vírus
bactéria
sou
o que não se quer
o que não se deve
sou o escuro
o raso
o profundo
estou
distante
ontem
passou
passou
por mim
e me deixou
assim
pensando
ainda mais
me deixou
ácido
amargo
azedo
em você
que é doce demais
há algo
em você
que vicia
que faz
querer
estar perto
há algo
em você
que soa
bem demais
alegra
o coração
acalma
há algo
em você
que eu ainda
não sei o que é
talvez
seja amor
demais
que contagia
talvez
seja
algo ainda
mais
forte
que o amor
eu não sei
se quero
descobrir
nem sei
de devo
há algo em você
que está
em você
que é seu
encanto
doçura
magia

10 de mar. de 2011

dá vontade de beijar
ai fico imagindo
o gosto
o calor
teu hálito
tua saliva
não sei disfarçar
dá vontade
de beijar
essa boca
sua boca
puro convite
para a perdição
lábios perfeitos
esse brilho
me perco
em sonhos
em desejos
viajo
me espalho
me esparramo
e fico
aqui
olhando
e desenhando
como
seria beijar
essa sua boca
de encantos
o gosto
da sua língua
da vontade
de beijar
de conhecer
o céu
da sua boca
me alimentar
de todo esse
detalhe seu
o que me
dói
é ter que abrir
mão
do amor
que se sente
o que
me dói
é ter
que sepultar
um amor
e deixar
em seu
lugar
a dor
e o silêncio
o que me dói
é ver
despedaçado
sonhos
que nem tive
tempo
de sonhar de verdade
foram apenas
relances
o que me dói
é ter que falar
com Deus
que não quero mais
não posso mais
querer
um amor
assim
resta-me agora
dizer
adeus
agora
que esses
ventos
pararam
de soprar
agora
que essas
tempestades
passaram
por mim
posso
olhar
o sol
posso
contemplar
minhas manhãs
meus versos
agora
que respiro
enfim
a paz
de dias
de sol
agora
que não há mais
sombras
nem vestígios
dos dias
que passaram
posso
escrever
sem medo
posso
viver
o amor
que sempre
sonhei amar
não preciso
mais
ir atrás
de nada
não preciso
mais
andar
desesperado
entendi
o tempo
de tudo
o tempo
de Deus
não preciso
mais
ficar desesperado
ansioso
preocupado
deixo
os ventos
soprarem
minhas velas
não nado mais
contra
a corrente
não ando mais
na contramão
não preciso mais
de desculpas
para viver
a vida
como eu a vejo
não preciso
mais de desculpas
não preciso
mais
disfarçar
verdades

que as coisas
não podem
ser como
eu gostaria
vou aceitar
as coisas
como elas
são

que não posso
mudar
o curso
do meu destino
vou
criar
novos motivos

que nada muda
vou
mudar
as coisas
que já existem
em mim
às vezes
é melhor não acordar
para não ver
o que já
está
traçado
definido
marcado

que nada muda
vou mudar
meu jeito
cético
de ver as coisas