
quero
amanhecer
quero
respirar
de novo
amar
de novo
viver
de novo
quero
anoitecer
olhando
as estrelas
quero
de novo
meus melhores
momentos
quero
de novo
minha vida
e minhas tolices
e minha
velha crença
no amor
quero
respirar de novo
a mesma fragrância
das flores
do meu caminho
quero de novo
os velhos
amigos
as velhas
canções

pra voltar
pra querer
pra amar
nunca é tarde demais
pra pedir perdão
pra dizer
que ama
que não vive
sem
nunca é tarde demais
pra falar
de amar
de bem querer
de saudades
nunca é tarde demais
pra tentar entender
o que nunca
se entendeu
e mudar
o que nunca se mudou
e falar
de tudo
o que há
nunca é tarde
para abraçar
para estender
as mãos
nunca é tarde demais
pra recomeçar
pra esquecer
a dor
e pra deixar
a vida acontecer
quantas vezes
nunca é tarde demais
para secar
as lágrimas
que ainda
escorrem

em nossas
mãos
o meu
e o teu coração
e nosso
amor
e nosso
tempo
e tudo
aquilo
que vivemos
em nossas
mãos
todos
os sentimentos
e angústias
já não
somos
mais donos
de nada
já
não somos
mais
quem um dia
fomos
em nossas mãos
nossa
consciência
perdida
e as mesmas
cicatrizes
em nossas mãos
um tempo
que não passa
e uma saudade que
insiste em
machucar

pode ser
que amanhã
o dia
mude
de cor
eu mude
meu jeito
de pensar
meu modo
de agir
pode ser
que amanhã
ainda
haja flores
ou lembranças
de tudo
o que vivemos
pode ser
que amanhã
o caminho
já não
seja o mesmo
pode ser
amanhã
nós não sejamos
os mesmos
nem nosso
tempo
nem as verdades
que insistimos
em não dizer
pode ser
que amanhã
seja tarde
demais
pra mentir
mais uma vez

só por hoje
não diz
nada
mais
nada que me machuque
mais nada
que me faça
sentir
dor
só por hoje
mantenha
sua boca
fechada
e seu veneno
guardado
dentro
desse seu coração
tão cheio
de nada
só por hoje
esquece
que eu existo
esquece
que um dia eu existi
queime
meus livros
e minhas histórias
se desfaça
das lembranças
só por hoje
me apaga
da memória
só por hoje
deixa eu seguir
meu caminho
livre
de tudo
livre de você

você sabe
que é verdade
tudo
o que vivemos
e o que falamos
e o que sentimos
você sabe
que é verdade
as mentiras
que contamos
e todas
as histórias
que contamos
você sabe
que é verdade
que esse
bem querer
não existe
que esse amor
é desencanto
você sabe
que é verdade
como
eu também
sei que
olhos mentem
que as mãos
sentem
e o coração
muitas vezes
se cala
você sabe
que é verdade
que o amor
em nós
há muito tempo
secou
morreu
se desfez

ninguém
sabe
o que eu sinto
nem
o que vejo
nem o que sei
ninguém
sabe
dos meus martírios
e da minha
dor
ninguém
sabe
por onde
andei
e nem o que
eu já vi
e já fiz
ninguém sabe
da minha
vida
e das cicatrizes
deixadas
ninguém sabe
o que
há em meus dias
em meu coração
ninguém
sabe
das ausências
e do querer
e quantas
vezes
no silêncio
de mim
quis morrer

não é assim
que se deixa
de amar
desviando
os olhos
matando
o olhar
não é assim
que se despede
da saudade
mãos
abertas
e braços fechados
não é assim
que se desfaz
a solidão
portas fechadas
janelas
e a escuridão
não é assim
que se esquece
o que se viveu
há vida
ainda
esperando
na esquina
a morte
não leva nada
não é assim
que se vive
não é assim
enlouquecendo

o passado
se foi
mas ainda
vejo
seus passos
em minha porta
o passado
se foi
e deixou
lembranças
retratos
papéis
amassados
e coisas
que eu queria
esquecer
o passado
se foi
sem querer
saber
o que eu pensava
o que eu sentia
sem querer
saber
se em mim
ainda doía
aquela velha
dor
de sempre
o passado
se foi
e deixou
em mim
o mesmo amor
presente

todos
os dias
de manhã
eu me olho
no espelho
e não me vejo
mais
não sou como
fui
meu rosto
pálido
de dor
meus olhos
inchados
de tanto
viver
todos
os dias
vou vivendo
eu me olho
no espelho
e não sei
mais quem sou
rosto
abatido
sem sorriso
sem motivo
não sou mais
o mesmo
eu me olho
no espelho
e não me vejo