1 de ago. de 2015

PODE SER

pode
ser que amanhã
eu te ame mais
ou não te ame
mais
pode
ser que amanhã
eu te busque
ou não te busque mais
pode
ser que amanhã
eu seja
teu porto
ou teu barco
à deriva
pode
ser que amanhã
eu me esconda
em ti
ou que amanhã
eu renasça
do teu amor
pode
ser que amanhã
eu queria
amar
teu corpo
ou que amanhã
meu corpo
seja cinza
pode
ser que amanhã
te sonhe
ou viva
pode ser
que amanhã
o amanhã
não exista...

TUAS CHUVAS

choves
em
mim
as tuas
lágrimas
as tuas angústias
teus medos
tuas decepções
choves
em mim
teus medos
tuas indecisões
tuas mãos gélidas
choves
em
mim
teus dias
sem sol
tuas chuvas
teus temporais
eu
te guardo
a chuva
eu
te abraço
sem culpa
e eu
te sinto
tua chuva
teus rios

SE ME OLHAS

se me olhas
me derroto
em teu olhar
e me desfaço
e enlouqueço
e viro vento
vendaval
se me olhas
deixo
que a poesia
fale por mim
deixo
no papel
tudo
aquilo que teus olhos me dizem
se me olhas
cheia de incertezas
te olho
também
com olhos
de sonhos

olhos de poeta
que sonha a poesia perfeita
se me olhas
me tens
inteiro
me dissolves...

NÃO SEI BRINCAR

eu não gosto
de brincar
de nada
eu gosto
de olhar
e ouvir
as besteiras
que gritam
os lábios
aturdidos
gosto
das mãos livres
gosto
das desprestensões
do ser
eu não gosto
da balburdia
do dia a dia
do barulho
do caos do mundo
prefiro
meus labirintos
minhas confusões
minha solidão
assim me aceito
assim me oculto
assim me defendo
não gosto de brincar
de nada
só de abraços
só de nós

VEM ME VER

vem me ver
para que
que eu também
te veja
e te abrace
quero
sentir
tuas emoções
teu coração
saltar
do peito
vem me ver
sem armas
sem escudos
vem em paz
para que a gente
brinque
de ser feliz
para que a gente
esqueça o mundo
para que o mundo
se cale
em nós
vem me ver
para que assim
eu toque
sua alma
e sinta teu coração
bater em minhas mãos

EM FRENTE AO MAR

é onde
quero estar
de frente
ao mar
papel em branco
caneta
e poesia
é onde
quero ficar
de frente
ao mar
com minhas
tantas indecisões
com meus tantos
pensamentos
é onde
quero
deixar minha vida
de frente
ao mar
que me deixa
livre
de tudo aquilo que carrego
livre da minhas
culpas
e dos meus problemas
é onde quero
morrer
de frente ao mar
sozinho
com papéis
canetas
e poesia

BRINCANDO

mesmo
velho
eu ainda
gosto
de brincar
de ser criança
eu ainda
gosto
do riso
solto
da falta de preocupação
com o tempo
com quem sou
com quem devo ser
mesmo
velho
e vendo
a vida assim
correndo de mim
ainda
gosto
de sonhar
que sou
aquele mesmo menino
peralta
que correria livre
pelos jardins
gosto
de me sentir
assim
o mesmo menino
que agora cresceu em mim
 

SE PUDESSEMOS

se
pudessemos
amar
todo amor
o que seria
do amor
seria
brincadeira
bandalheira
confusão
no coração
só cabe
um amor
de verdade
todos os outros
são desculpas
são farrapos
se
pudessemos
amar
livremente
sem culpa
o que seria
do amor
não seria precípicio
não seria dor
seria
tudo
menos amor

LUA NUA

a noite
passada
a lua
se vestiu
de azul
eu não vi
há tempos
meus olhos
não vêem
o céu
ando
há tempos
cabisbaixo
trancado
em minha solidão
em minha
cela
de tantos
pensares
pesares
a noite
passada
a lua
despiu
seu alma
eu não vi
há tempos
não olho para o céu
não olho para nada
não vejo ninguém
minha cela
não tem janelas
nem portas
muito menos céu

SEM RASCUNHOS

eu
te escrevo
sem rascunho
eu
te amo
sem medo
medo
pra que
se é amor
e todo amor
ainda
que pouco
vale a pena
eu
te escrevo
pelas sensações
que tenho
de ti
da imagem
perfeita
que faço
de ti
e vou por este
caminho que me leva
para teu braços
ou para meu abismo
eu
te escrevo
sem rascunhos
sem medo
sem futuro