21 de dez. de 2016

DE REPENTE



tem
gente que
já chega e me alegra
sinto
sensações imensas
aquele
prazer de ter
alguém
que por si
só encanta
tem
gente que chega
e trás
sem saber
um vento fresco
que refresca
o pensar
tem
gente que não precisa
dizer
nada
é só chegar
e desfazer as malas
e ficar
deixar
que seu arco-íris
invada
e transforme
mesmo sem dizer nada...

VOZES



essas vozes
que gritam
ao meu ouvido
quero
não ouvi-las
quero
dissuadi-las
a me deixarem
quero
que fiquem
em silêncio
e me deixem
decidir
sozinho
para onde ir
essas
vozes
que tanto me atormentam
roubam
minha serenidade
deixam-me louco
e não há nada
que as faça calar...
enlouqueço...

DEIXA



deixa
não procuro mais nada
nem sorte
nem remédio
nem um pouco de luz
nem um pouco de ninguém
me resguardo
fico
e faço
exatamente
o que me cabe
o que tenho que fazer
se amanhã
vier
que venha
já não me antecipo mais
as derrotas
nem luto mais antes das glórias
permaneço
consumido
por tudo que penso.

SABEM DE MIM



sabem de mim
o que penso
o que não penso
o que sinto
minhas revoltas
tantas
estes meus velhos gritos
meus tormentos
angústias
pareço
mergulhado
no caos
careço
de entendimento
acho que Deus
cometeu em mim
seu maior equivoco
sabem de mim
e eu não sei nada de ninguém...

3 de dez. de 2016

OLHANDO

Eu fico
Te olhando
Me perguntando
Onde teu rio
Vai me levar
Mesmo sabendo
Nadar
Tenho receio
Das tuas
correntezas
Não sei
Se és rasa
Ou profunda demais
Estas tuas águas
Sei
Apenas
Que me atrai
Que me faz querer
Te querer e eu
Nunca fui de ficar
Com meu barco
Preso ao cais...
Ou deixo
Que me arrastes e me afogues
Ou fujo de ti
Para o meu deserto
De tantas incertezas...

EU TE QUERO

Eu
Te quero
De que jeito
Ainda não sei
Mas
Eu te quero
Eu te Quero
ver despertar
Depois
De noites
Em claro
Te quero
Ver
Envergonhada
E tímida
Enquanto vestes
O corpo
Papel de minhas poesias
Te quero
Sentir
Como a água que
Te banha
Te ver
Comer
Feito criança
Que se lambuza
Com o pote de sorvete
Te quero
Ver
Andar
Para que cada gesto
Teu sejam fontes
De inspiração
Te quero
Te fazer sonhar
Em meio aos caos
De cada dia
E se o amor
Acontecer
Ainda que te faça partir
Eu te quero apenas
Saber
Que segues
Enfim feliz...

RUAS

A poesia
Está na rua
No rosto
E no jeito
De cada mulher
Que vejo

A poesia
Está no vento
Que sopra meus cabelos
Nós perfumes
Das mulheres
Que passam apressadas
Por mim e nem
Sabem que agora
São poesia
A poesia
Está
Neste meu jeito
De olhar o mundo
E vislumbrar
Amor em tudo...

ROLETA RUSSA

Vida
Esta roleta russa...
Escolhas
Certas ainda
Que erradas

E erradas
Ainda
Que inconsciente
Seguir
Viver
Parar sentir
Amar
E amar...
Além do amor
O que há
O que somos
Por que
Amor
Meu
Dos outros
A posse sobre
Tudo
O que se tem
Ainda que ilusório
Dar ao outro
O que já é de alguém
Vida
Este passeio
De cárceres
Nada sabemos
E
Achamos
Achados
Perdidos
Querer
O que não querer
E ter
O que não se pode ter
Labirintos acasos
Sentidos
Incondidos
Não sei
Que se aperte então
O gatilho
Deste revólver

CASUAIS

Encontros casuais???
Existe acaso no destino??

E assim
Se faz poesia...
Das vozes
Que não ousam falar
Dos olhos
Que se arriscam
Num olhar...

Afoitos
Corações
Dilacerados
Disfarçam
Medo?
Não se assume
Mais desejo s
Tudo fica
Sempre subentendido
Acaso
Destino
Gestos pensados
Toques involuntários...
Partida
Sem despedida
Sem adeus
Sem saudades...
Acaso
De um destino
Sem juízo...

MULHERES

Nunca
Gostei
De mulheres
Com laços enormes
Pompos
Frufrus
E afins
Babados
Plumas...

Gosto
Das mulheres
Que sussuram
Seus desejos
Discretas
Envolvem
E massacram
Suas presas
Nunca gostei
De brilhos fortes
De gestos espalhafatosos
De gritos
Sou mais
Abajures
Meia luz
Meia calça
Meia taça...
não gostos
Das santas
Das bocas que profanam
Aprecio
O silêncio que induz
O pecado entre as paredes
De um quarto...
Gosto
Das mulheres
Que são mulheres
Sem laços
Sem babados
Frufrus
E afins