14 de jun. de 2017
9 de jun. de 2017
VELHO CORAÇÃO
fico
ali
por horas
olhando
o cursor
piscando
fico
ali
parado
entre palavras
perdidas
tento
dedilhar
sentimentos
e esfolo
ainda mais
o velho coração
fico ali
entre suspiros
e o catavento
parado
fico
ali
entre as cinzas
do cigarro queimado
olhando
o copo vazio
o corpo vazio
e o velho
coração
esfolado de amor
ESCURO
ficarei
em silêncio
deixarei
que a vela
se apague
nas tua própria
cera
ficarei
entre
minhas memórias
e lembranças
não
dá mais
para brincar
de menino assustado
a vida
me ensinou
a crescer
depois
que a vela
se apagou
e o escuro
se fez
foi
nele
que me vi
refletido
ficarei
em silêncio
sem fósforos
sem velas
sem mais
poder brincar de ser criança.
NÃO SOU MAIS
é
agora sei
que não sou
mais o mesmo
não mais
em mim
a velha
intensidade
de tudo
a explosão
não sou
mais
aquela granada
agora
fico
na paz
dos meus dias
vivo
das minhas
circunstâncias
não grito
mais
gritos
em vão
toda
dor
em mim já doeu
não planto
mais espinhos
não mais
cultivo
nada em corações vazios
tudo
o que fui
já não sou mais
há tempos
NUNCA FALEI DE TI
nunca
falei
de ti
a ninguém
nunca
expus
a dor
que teu veneno
me causava
sempre
silenciei
teu grito
em minhas madrugadas
jamais
falei
dos versos
das crônicas
e toda essa novela
sempre
te deixei ali
incólume
aprendi
a te deixar ali
sem precisar
de nada
do que era teu
eras
tudo o que um dia
como tudo
iria morrer
e morreu
NOSSO DESALINHO
chega
uma hora
que chega
entre
tantas idas
e vindas
e voltas
e reviravoltas
nunca se disse
nada
nunca houve mesmo
nada que valesse
à pena
então
voltamos
ao pó
de nós
cada um vivendo
seus desencontros
nunca houve
qualquer razão
apenas
desafeto
e este nosso desalinho
entretanto
ficarás
na inércia
de todos os meus sentimentos
e quem sabe
um dia
por descuido
tua rua
encontre por ai
minhas folhas sujas
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