4 de out. de 2017

EU SEI

eu sei
que gosta
de mim

sei
também
que pensa
em mim

mesmo
que negue
e vai negar
eu entendo
sei dos medos

dos tantos medos
que existem

mas eu sei
eu sinto
nas palavras
em cada palavra dita

me sente
e eu te sinto
sei
que pensa
em mim

porque já fomos
e voltamos
tantas vezes
e nunca ficamos
longe de nós

EM MIM

estás
em mim

no meu silêncio
nos meus pensamentos
na minha insanidade
no meu jeito
de querer
e de sentir

está nas minhas poesias
e nas minhas madrugadas
estás
nas músicas
que ouço
no vento que sopra
no sol
e nas tardes de chuva

estás
em mim
em tudo de mim
na minha culpa
e no meu pecado

estás
e estarás
em todas as primaveras

és semente
que o destino
plantou em meu jardim

POR QUE

por que
não podemos
sentar
num banco de praça
e conversar

por que
não podemos
andar
lado a lado
sem a preocupação
da vida
que fica
do lado de fora de nós

por que
não podemos
rir
dos nossos absurdos

amanhã
a vida
acaba
e depois restará
a saudade
e a lembrança

por que
não podemos
esquecer
por um instante
nossos problemas

amanhã
a vida acaba
e restará
o sopro de um momento
bom

SIGO

sigo
então
imaginando
o gosto
do teu beijo
o calor
do teu abraço
o teu despertar
e o teu dormir

já que não posso
imagino
o som da tua voz
o maciez da tua pele

os teus pés na areia
o teu jeito
de amar
tua respiração

sigo
escrevendo
poesias
que fazem voar

quem sabe
um dia
nos encontramos
no mesmo silêncio
no mesmo sonho

EU GOSTO DE VOCÊ

eu gosto de você
e nem mesmo eu sei porque
talvez
porque exista em você
algo
me remexe
com meus instintos

talvez
porque exista em você
algo
que acenda
o desejo de viver
ainda mais

eu gosto de você
e do que vejo
em você
e tudo aquilo
que imagino mesmo
sem saber

gosto dos cabelos negros
dos olhos
e do jeito de olhar
gosto do sorriso
das curvas sinuosas
do teu corpo
gosto da exuberância
dos teus seios

eu gosto de você
e gosto
de imaginar
que você também gosta
de mim
e sente o mesmo desejo

isso
é o que me faz
seguir
caminhando sem destino
e na deriva do teu mar

2 de out. de 2017

BEIJO TUA BOCA






Em silêncio
Já beijei tua boca
Ah tua boca
No silêncio Do meu mundo
Quando
Estou só comigo
Sinto tua respiração
E colo
Minha boca na tua
Alucinado
Busco ávido tua língua
E na calma
Dos teus braços
Bebo calmo tua saliva
Em silêncio
Onde nem mesmo
Eu me escuto
Sempre beijo tua boca
Busco tua língua
E mato minha sede
Neste teu doce mel
Desta tua boca

Ah tua saliva

10 de set. de 2017

TEUS OLHOS



fechei
meus olhos
para não mais
ver teus olhos

mas na calada
da noite
quando não tenho
mais domínio sobre mim
me vem em
sonhos
os olhos teus

como se meu inconsciente
gritasse
como se eu não pudesse fugir
e sei
que dentro de mim
não posso

então
sigo
resignado
calado
absorvido por aquilo
que não posso

sigo
vendo teus olhos
mesmo quando
estou eu
com os olhos fechados

21 de ago. de 2017

PENSEI AMAR DEMAIS

sempre
pensei
eu
amar demais

não era
amor
era
algo que não tinha nome
nem definição
nem explicação
nem razão
nem motivos
nem nada

eu
pensei que era
amor
achei
que amar
era um simples sentir
era coisa de criança
que com tudo se encanta
e se engana
e eu me enganei

fui brincar
sem saber
que amor
é mesmo aquele fogo
que arde sem se ver
eu me queimei
amei errado
pensei que era amor
todo amor que eu sentia

BELAS MANHÃS TARDIAS

são
apenas
pinturas
visões
que tive
de um tempo
que não existiu

hoje
minhas manhãs
não tem mais
a cor
que tinham nas manhãs
de minha
infância

hoje
minhas manhãs tardias
tem nuvens carregadas
de frustrações
e destempero

tudo
o que vivi
ou pensei viver
ou quis viver
são telas manchadas
de uma vida
rabiscada
onde aprendi a viver
vendo a vida
esvaindo-se
dia a dia

sem graça
sem cor
telas amarelas
de um pintor
sem talento
cego de virtudes
e cheio do mal de amor

NÃO MAIS

já deixei
de ser
quem sou
há tempos

nem mais
me olho
no espelho
já sei de cor
meus defeitos

já deixei
de voar
há tempos
quebraram minhas asas

sonhos?
deixei todos
enterrados
num passado presente

não vejo mais
a lua
e não creio mais
em estrelas

deixei
de ser poeta
deixei de acreditar
no amor que sentia

tornei-me cético
a realidade
esmagou o que eu era