João
só espera
a morte chegar
não quer
nada
perdeu a esperança
o amor
a fé
João
não chora
e nem sorri
é planta
sem água
é dor
solidão
sem abraço
sem amigos
sem vida
João
sem Maria
sem filhos
sem ter porque
sem ter razão
enterrado
numa vala
espera apenas
que a morte lhe abrace
mas a morte
não gosta de coitados
não gosta de gente
sem vida
6 de mai. de 2018
NÃO SOU DE RAIZ
eu não sou
de raiz
não sou de ficar
parado
nunca fiquei estagnado
sempre
amei o sol
a estrada a lua
não gosto
de correntes
de algemas
de nada que me prenda
minhas celas
não tem grades
minha alma
não tem porto
em mim nada
nunca foi seguro
sempre fui vento
ventania
nunca me prendi
nunca me prenderam
sempre fui
errado e torto
mas sempre fui
amante
amado
eu não sou raiz
sou poeta
poesia
de raiz
não sou de ficar
parado
nunca fiquei estagnado
sempre
amei o sol
a estrada a lua
não gosto
de correntes
de algemas
de nada que me prenda
minhas celas
não tem grades
minha alma
não tem porto
em mim nada
nunca foi seguro
sempre fui vento
ventania
nunca me prendi
nunca me prenderam
sempre fui
errado e torto
mas sempre fui
amante
amado
eu não sou raiz
sou poeta
poesia
TUDO MUDOU
tudo mudou
o amor
o jeito de amar
as paixões
e o jeito de viver
enquanto
isso
eu fiquei parado
olhando pelas frestas
da janela
a vida a sorrir
enquanto
isso
eu vivia
de ilusões
passadas
eu achava que sabia
tudo
e não sabia nada
tudo mudou
eu não sabia
que havia vida fora de mim
há
há mundos
e sorrisos
há amores e paixões
há muito para conhecer
pessoas
abraços prontos para abraços
tudo mudou
e eu permaneci
enterrado em minhas convicções
enfim
deixei o sol entrar
e a vida acontecer
o amor
o jeito de amar
as paixões
e o jeito de viver
enquanto
isso
eu fiquei parado
olhando pelas frestas
da janela
a vida a sorrir
enquanto
isso
eu vivia
de ilusões
passadas
eu achava que sabia
tudo
e não sabia nada
tudo mudou
eu não sabia
que havia vida fora de mim
há
há mundos
e sorrisos
há amores e paixões
há muito para conhecer
pessoas
abraços prontos para abraços
tudo mudou
e eu permaneci
enterrado em minhas convicções
enfim
deixei o sol entrar
e a vida acontecer
HOJE
hoje
quero
cometer
todas as loucuras
todos os desatinos
hoje
quero
todos os pecados
quero me perder
me embriagar
escrever
hoje
não quero mais
nada
quero abraçar
meu corpo
cansado
quero
esquecerr
as mazelas
os despropositos
hoje
não estou nem ai
para o que se foi
e para o que virá
hoje
quero amar o amor que sinto
e deixar
para lá
todo desamor
hoje
quero lavar meu carro
lavar meu coração
e deixá-lo secar
no varal
juntos com minhas emoções
hoje
não quero nada
que me remeta ao meu amanhã
quero
cometer
todas as loucuras
todos os desatinos
hoje
quero
todos os pecados
quero me perder
me embriagar
escrever
hoje
não quero mais
nada
quero abraçar
meu corpo
cansado
quero
esquecerr
as mazelas
os despropositos
hoje
não estou nem ai
para o que se foi
e para o que virá
hoje
quero amar o amor que sinto
e deixar
para lá
todo desamor
hoje
quero lavar meu carro
lavar meu coração
e deixá-lo secar
no varal
juntos com minhas emoções
hoje
não quero nada
que me remeta ao meu amanhã
AMANHÃ
amanhã
serei outro
meu eu
de hoje
não mais existirá
amanhã
terei novas dores
novos amores
novas necessidades
amanhã
a sede de hoje
terá passado
amanhã
o amor
de hoje
terá morrido
saudade
estará de malas prontas
amanhã
a dor passará
eu escolherei
uma nova estrada
um novo caminho
amanhã
terei um novo rosto
um novo coração
e uma nova história
amanhã
me eu de hoje terá morrido
nada mais restará
tudo serão lembranças
tudo será saudades
amanhã
hoje não
serei outro
meu eu
de hoje
não mais existirá
amanhã
terei novas dores
novos amores
novas necessidades
amanhã
a sede de hoje
terá passado
amanhã
o amor
de hoje
terá morrido
saudade
estará de malas prontas
amanhã
a dor passará
eu escolherei
uma nova estrada
um novo caminho
amanhã
terei um novo rosto
um novo coração
e uma nova história
amanhã
me eu de hoje terá morrido
nada mais restará
tudo serão lembranças
tudo será saudades
amanhã
hoje não
RESSECADO
por dois
me tranquei
em minha casa
não saia
não sabia
como estava o tempo
lá fora
muitas vezes
chovia
muitas vezes
o sol
bateu desesperado em minha porta
muitas vezes
olhei
a corda em meu pescoço
até minha sombra
fugiu
de mim
até meus escuros
e meus demônios
desprezaram meu sentir
só
eu e minha cruz
eu e o sangue ressecado
eu e minha solidão
por dois anos
não vi ninguém
e meu espelho quebrado
e meu corpo definhando
por dois anos
morri
numa cela sem grandes
coração
batendo fora do peito
e a vida
como flor
que não se rega
me tranquei
em minha casa
não saia
não sabia
como estava o tempo
lá fora
muitas vezes
chovia
muitas vezes
o sol
bateu desesperado em minha porta
muitas vezes
olhei
a corda em meu pescoço
até minha sombra
fugiu
de mim
até meus escuros
e meus demônios
desprezaram meu sentir
só
eu e minha cruz
eu e o sangue ressecado
eu e minha solidão
por dois anos
não vi ninguém
e meu espelho quebrado
e meu corpo definhando
por dois anos
morri
numa cela sem grandes
coração
batendo fora do peito
e a vida
como flor
que não se rega
TUAS VERDADES
fala
coisas
sem sentido
esmaga sob teus
pés
meu coração
ri
debochada
do que sinto
se vai
batendo a porta
deixa
malas
roupas
e teu coração
ainda em minhas mãos
sei
que não és santa
nem puta
apenas uma qualquer
que negas
quem és de verdade
abraça
tua aliança
e tuas mentiras
fétidas
debochada
insana
cospe tuas verdades
em meu rosto
a saliva
escorre
pelo rosto
e eu a bebo
sem nojo do teu eu
cada parte de ti
me importa
coisas
sem sentido
esmaga sob teus
pés
meu coração
ri
debochada
do que sinto
se vai
batendo a porta
deixa
malas
roupas
e teu coração
ainda em minhas mãos
sei
que não és santa
nem puta
apenas uma qualquer
que negas
quem és de verdade
abraça
tua aliança
e tuas mentiras
fétidas
debochada
insana
cospe tuas verdades
em meu rosto
a saliva
escorre
pelo rosto
e eu a bebo
sem nojo do teu eu
cada parte de ti
me importa
MADRUGADA
vou me embrenhar
nesta madrugada
deixar
minhas roupas
da alma
jogadas em minhas esquinas
vou acender
um cigarro
só para vê-lo queimar
no cinzeiro
vou encher uma taça
de vinho
para vê-lo azedar
sob o tempo
vou morrer
de saudades
dos bons tempos
quantas pessoas
perdidas
quanto tempo perdido
quanta vontade
desperdiçada
ôh amor
já fui menino
sem medo
agora dia a dia
envelhoço
e a sede de viver
aumenta
vou me perder
nesta madrugada
vou beber
deste meu silêncio
nesta madrugada
deixar
minhas roupas
da alma
jogadas em minhas esquinas
vou acender
um cigarro
só para vê-lo queimar
no cinzeiro
vou encher uma taça
de vinho
para vê-lo azedar
sob o tempo
vou morrer
de saudades
dos bons tempos
quantas pessoas
perdidas
quanto tempo perdido
quanta vontade
desperdiçada
ôh amor
já fui menino
sem medo
agora dia a dia
envelhoço
e a sede de viver
aumenta
vou me perder
nesta madrugada
vou beber
deste meu silêncio
ME DESCONHEÇO
cada dia mais
desconheço
já não sou mais
o mesmo
meus olhos
já não querem mais
beleza
meu coração
está farto de amor
meus passos
descompassados
o ritmo
mais lento
a solidão
uma defesa
o sorriso
uma desculpa
já não gosto mais
de tudo
não tinha medo
agora tenho
a dor
dos dias que perdi
dormindo
agora tenho
pois a vida
começa a se esvair
me desconheço
olhando
meu rosto no espelho
minha boca
seca
já não sou o mesmo
nem meu ontem
meu hoje
e meu aman...
desconheço
já não sou mais
o mesmo
meus olhos
já não querem mais
beleza
meu coração
está farto de amor
meus passos
descompassados
o ritmo
mais lento
a solidão
uma defesa
o sorriso
uma desculpa
já não gosto mais
de tudo
não tinha medo
agora tenho
a dor
dos dias que perdi
dormindo
agora tenho
pois a vida
começa a se esvair
me desconheço
olhando
meu rosto no espelho
minha boca
seca
já não sou o mesmo
nem meu ontem
meu hoje
e meu aman...
10 de abr. de 2018
DEVAGAR E LENTAMENTE
vou morrer
eu sei
às vezes até quero
morrer
rápido
assim
fulminante
mas
a vida ainda grita
dentro de mim
ainda
há muito por vir
então
quero
que a vida aconteça
devagar e
lentamente
que eu morra
depois
de tudo
ainda não
faltam amores
paixões
lugares
faltam
poesias
e rostos
ainda desconhecidos
quero vida
devagar e lentamente
eu sei
às vezes até quero
morrer
rápido
assim
fulminante
mas
a vida ainda grita
dentro de mim
ainda
há muito por vir
então
quero
que a vida aconteça
devagar e
lentamente
que eu morra
depois
de tudo
ainda não
faltam amores
paixões
lugares
faltam
poesias
e rostos
ainda desconhecidos
quero vida
devagar e lentamente
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