26 de ago. de 2009

NOITE CÁLIDA*

Sem roupas
Roupas
Jogadas
No chão
A cama úmida
A noite cálida
E os nossos desejos
Perdidos
Em nossos corpos
Sem tempo
Sem pressa
E nosso amor
Explícito
Para a lua
E para as paredes
Roupas
Jogadas
Pelo corredor
E banheiro
E sala
E nosso bem estar
Noite cálida
E nós
Em nós

NOSSO RIO*

E vamos
Nesse nosso rio
De águas
Ora turva
Ora clara
E vamos
Sem remos
Levados
Pelas correntes
Às vezes
Flutuando
Nas águas
Desse nosso rio
E vamos
Rumo
À imensidão
Do nosso mar
E vamos sempre
Nesse nosso rio
Levados
Pelo que sentimos
Sem vento
Sem remos
Rumo ao nosso mar

A GENTE SE ENTENDE*

De um jeito
Ou de outro
A gente se entende
Porque
Já somos
Parte
De nós
Porque já
Lemos
Sem perceber
Pensamentos
De um jeito
Ou outro
Temos
Nas mãos os
Corações
A gente se entende
Nessa vida
Que escolhemos
Para nós
Sem luxo
Eu e você
E nossos corações
A gente se entende

A MENINA CRESCEU*

A menina
Cresceu
Enfim
Anda
Por aí
Vestida de mulher
A menina
Cresceu
Deixou de ser flor
Para virar
Feiticeira
Deixou de lado
A inocência
Para sorrir
A menina cresceu
Deixou
De ser lagarta
Virou
Vento
Mulher enfim
Dona dos seus encantos
E da sua vida
Deixou de ser menina
Virou enfim mulher

AINDA É POUCO*

Ainda
É pouco
Esse amor
Que me dá
Assim
Não dá
Para voltar
Não dá
Para sentir
Saudades
Ainda
É pouco
Esse seu gostar
Que deixa
Bilhetes
Em todos os lugares
Quero um amor
Maior
Louco, alucinado
Que coloque fogo
Em mim e vire minha cabeça
De ponta cabeça
Seu amor
Ainda é pouco

VONTADE LOUCA*

Sento
E deixo
Essa vontade louca
Passar
Tento
Esquecer
O que me passa
Por instantes
Na cabeça
Tento disfarçar
Para que o corpo
Esqueça
Essa vontade louca
De sentir
De novo
O que me trouxe
De novo à vida
Sento
Abro a janela
E respiro
O ar novo
Que entra
Quero deixar
Essa vontade louca passar

SÓ DE AMOR*

Pena
Que já não
Podemos viver
Só de amor
Pena
Que o amor
Ficou
Para segundo plano
Pena
Que já não
Temos
Mais tempo algum
Para as velhas
Declarações
De amor
Seria bom demais
Viver
Só de amor
Viver numa cabana
Longe de tudo
Só de amor
Só desse calor
Que não há mais
A chama se apagou

UNS AOS OUTROS*


Não queremos
Bem
Uns aos outros

Esquecemos
Tudo o que ficou
Na nossa infância
De inocência
Quando
Brincávamos de escorregar
Na grama verde
Já não
Lembramos mais
Dos amigos ausentes
Já não
Queremos bem
Somos
Indiferentes
A qualquer dor
Alheia
Sentimos apenas a nossa dor
Já não olhamos
E nem nos olharemos mais

TUDO VAI MUDAR*

Tudo vai mudar
Depois
Do amanhã
Já não restarão
As sobras
Do amor de hoje
Já não haverá
Mais
Pegadas
No asfalto frio
Tudo vai mudar
Quando
A noite for
Embora
Não haverá
Mais a falsidade
Do seu sorriso
Nem o gosto
Amargo
E vazio do seu beijo
Tudo vai mudar
Meu nome e meu endereço
Seu amor e seu jeito
Quando o amanhã amanhecer

25 de ago. de 2009

PRIMITIVO*

O querer
Antes
Do amor
Desejo
Primitivo
Desejo
Que nasce
No olhar
O querer
Que desperta
Junto com
O sol
E não finda
Com a noite
Desejo primitivo
Chama
Que acende
Antes de tudo
Até mesmo
Antes da paixão
Desejo primitivo