30 de jul. de 2014

TUAS LÁGRIMAS


deixa
que tuas lágrimas
lavem
a terra
deixa
que tua dor
cicatrize
todas tuas
dores
deixa
que a saudade
fique
e se cale
na tua alma
deixa
que agora
haja silêncio
não diz mais
nada
deixa
tuas lágrimas
caírem
dos olhos cansados
de tudo
deixa
que seja assim
sempre
será
essa dor
que castiga
essa saudade
lasciva
deixa
que tudo devagar
volta
a ser como sempre foi
tardes
frias
e vazias
deixa
tuas lágrimas
caladas
molharem
tua terra

VOCÊ MORREU PRA MIM


você
morreu pra mim
em mim
nada ficou
nada restou
nem lembranças
você
marcou
meu novo recomeço
me fez
crer no que é o amor
amor de verdade
amor que você não sabe
amor que nunca viu
sentiu
tocou
você
é pedra jogada
no rio
vai fundo
e fica ali
virando
lodo
no vazio
de tudo
você
morreu pra mim
vento que passou
e levou
o que havia
minhas pegadas
certezas
ironia
foi
morreu
ficou minha paz
minha consciência
e mais
nenhuma certeza

ME ERRO


eu me moldo
me transformo
me deformo
não me importo
deixo-me ir
deixo-me levar
e vou
até que me encontre
em todos
os rostos
por ai
eu me calo
eu me afasto
me defendo
de tudo aquilo
que me assusta
e tanta coisa
ainda
me assusta
visto-me da noite
que cai
visto-me da sombra
que me segue
não sou reto
sou curva em desalinho
sou mais que a metade
sou um trago
no cigarro
apagado
sou circunstância
eu me moldo
faço de mim
rascunho
me erro
me enterro
me desespero
borboleta
mariposa

29 de jul. de 2014

QUEM SOU


penso
que sou
miragem
penso
que sou
bagagem
penso
que sou
bobagem
não sou ninguém
sou desafeto
quase
um grito
um berro
penso
que sou
o queria ser
o menino
de estrepolias
o menino
que vivia
o que a vida lhe dava
penso
que sou
aquele que iria
além de mim
aquele que voaria
que andaria pelas estradas
penso
que sou
aquele que ficou
parado
devorado
pelo tempo
que passou
quem sou
sou
quem penso
quem imagino

27 de jul. de 2014

DESFOCADA


não existe mais
nada especial
em ti
desfoquei
teu rosto
teu modo meu
de te ver
não existe mais
nenhum
encanto
nenhuma admiração
desfoquei
minha maneira
louca de te ver
não há mais
nada
que queira
apenas meus versos
de todas as noites
de insônia
nas minhas noites
de tantos medos
quantos medos
gritei
pelas janelas
fechadas
ninguém nunca ouviu
ninguém nunca
me olhou
ninguém soube
nunca
quantas vezes chorei
desfoquei
teu rosto
pra nunca mais te ver

NÃO MAIS


não mais
não te sonho mais
em meus dias
e nem quero
mais teus beijos
nem teu corpo
nem meu copo
não mais
não te quero mais
nas minhas fontes
de inspiração
bebendo
minhas águas
entorpecendo
meu jeito
de sonhar
não mais
habitará
em minhas esperanças
em meus desejos
matei
tudo de ti
em mim
resta agora
teu corpo em fragmentos
e meu desejo
que se refaça
que se reinvente
não mais
nascerá em mim
nenhum sonho
por ti
nenhum desejo
nenhuma fantasia

RAIOS


caiam
os raios
desta tempestade
sobre mim
desmorone
meu chão
façam-se buracos
nas melodias
que canto
espanto
caiam
todas as chuvas
e os temporais
desfaçam
as mãos que se entrelaçavam
e as bocas
que se beijavam
se calam
caiam
minhas dores
e suas cores
e meus entorces
e meu medo da morte
deixe
de ser quem sou

não sou mais
quem fui
raios
tempestades
e todos os silêncios
do nosso mundo

23 de jul. de 2014

ESTE MEDO


Este medo
Este silêncio
Estas dúvidas
Estes tormentos
Querer ir
Para onde
Nada impeça
De sentir
Estas incertezas
Estes gritos
De dor
Este medo
Estas angústias
Incertas
Esses sussurros
De vozes
Mudas
Esta falta de coragem
Esta falta
De verdades
Estes tantos absurdos
Almas
Que gritam
Almas
Que sentem
Almas
Que não sentem
Nada
Ruas
Vazias
Ventos frios
Madrugadas
De todas as manhãs
Minhas loucuras
Minha insensatez
Dormentes
Dementes
Impotentes
Diante

Deste medo

JOGASTE FORA


Jogaste
Fora
Minhas mãos
E meus abraços
Disseste
Não
Ao meu amor
Ao meu bem querer
Então
Agora
Te dou meu silêncio
Minhas horas
De angústia
E a dor
Da tua incompreensão
Julgaste
Sem saber
Por medo
De arriscar
Por medo
De sofrer
Deixo-te
Agora
Na paz que te conforta
Não insisto
Bater mais
A tua porta
Não devo
Não posso
Mesmo que me minha’lma
Grite
Mesmo que meus olhos
Te busquem
Não posso
Querer
Um querer sozinho
Deixo-te ir
Para teu lugar de sempre
Te dou

Agora meu silêncio

NÃO CONSIGO


Não consigo
Me imaginar
Sentado no sofá
O dia inteiro
Sem amor
Sem amar
Não consigo
Me imaginar
Olhando
Pela janela
Vendo a vida
Passar
Desordenada
Por mim
Não consigo
Represar
Esses meus sentimentos
Esses ventos
Constantes
Que sopram em mim
Não consigo
Me imaginar
Com o coração gelado
E o copo
De café esfriando na mesa
Não consigo
Me imaginar
Mãos ressecadas
Pés rachados
Estagnado
No sofá
Assistindo
Meus pensamentos
Desfilar
Sob minha cabeça
Vazia
Não consigo
Me imaginar
Sem essa vontade

De amar