10 de fev. de 2015

VAI


rasgue
as cartas
que escrevi
as poesias
que dedilhei
esqueça
os beijos
as mordidas
as palavras
proferidas
rasgue
as roupas
que eu te dei
cuspa
a água
que bebeu
se desfaça
vá embora
abre a porta
a janela
evapore
teu perfume
não deixe
nada do que é seu
retire
de mim
as cicatrizes
as marcas
de batom
leve os punhais
as espadas
e teus escudos
vai
e leva a saudade

O QUE HÁ EM TI


o que há
em ti
é o que
quero
é tua
alma limpa
são
estas
tuas verdades
tuas noites
minha cabeça
em teu peito
nosso
mundo
o que há
em ti
é tua
sonoridade
tuas
formas
de pensar
e de saber
se fazer
entender
sem gritos
alardes
frescuras
o que há
em ti
é o que me arrasta
para teu ninho
teu amor
de imensidão
teu carinho
eterno
este teu coração
que sempre
bateu no meu peito

SILÊNCIOS



um silêncio
em mim
um silêncio
que mora
em mim
que faz parte
de todo meu eu
que não sai
que não cala
que grita
que sufoca

uma solidão
que me converte
que me converge
que se apossa
do meu silêncio
que me deforma
transforma
que estende
suas mãos
e me empurra
para meu amanhã
para meus muros
de silêncio
e minhas pontes tortuosas
de solidão

DOR


conheço
a dor
a dor
de sentir
a dor
de amar
de se perder
no querer
vazios
ou nãos
quantos
tantos
conheço
o eu que
há em mim
desconheço
o eu
que caminha
nas ruas
conheço
a dor
de um porvir
a dor
rasgada
doida
no peito
conheço
o desconhecido
silêncio
a morbidez
gelida
dos lábios quentes
sem dentes
conheço
a dor
quiserá
desconhecer

MUNDO VASTO IMUNDO


não
sei
quem tu és
se flor
se for
beija-flor
não sei
se é rosa
roseira
espinho
não
sei
se carinho
se carinhar
se abraço
enlace
não
sei
onde estou
se estou
em teu eu
se é
se foi
se amanhã
todos
os talvez
quem sabe
quem és
quem sou
amor
amado
amante
encanto
no canto
do mundo vasto
imundo

MAR DE AMOR


mar
só amar
amar
até
que não
haja
mais
amor
mar
de imensa
ondas
secas
amar
o que há
para ser amado
nas controvérsias
do amor
na contramão
de tudo
mar
só amar
mergulhar
sem saber
nadar
deixar
que o amar
seja leve
leve
para onde for
mar
de amar
o amor
que seja
todo amor
no final
bom o mal
vale à pena

VELHAS COISAS


gostava
das velhas poesias
do romantismo
exarcebado
dos amantes
das amadas
gostava
das bocas
que se beijavam
no encontro
gostava
das velhas
canções
das seretas
dos gritos
e das declarações vis
de amor
gostava
das mulheres
tímidas
do pudor
das coxas
escondidas
gostava
do encontro
no portão
amava
a conquista
a sedução
o prazer real
o arrepio
e as borboletas
que sempre
voavam
hoje
tudo é morto
tudo é irreal
mentiras
que se contam
nas esquinas
sem cor
eu amava
as velhas poesias

IMACULADA


ela ficou
ali
na mesma
janela
esperando
imaculada
fiel
certa
de tudo
cercada
de uma tristeza
que não era sua
ela
sorria
fingia
a dor sentia
ninguém sabia
ela esperou
certa
pedindo
sempre
serenidade
sabedoria
ali
vivendo
porque viver era
preciso
na janela
esperando
o vento
ventar de volta
o amor que era
só seu
amor
linda
imaculada
em seu sentir

REGRESSO


voltar
foi
o certo
a fazer
voltar
para meus reino
de tantos
sonhos
voltar
para o meu
jardim
de tantas flores
voltar
para os meus
para os que
conhecem
minhas dores
e meus defeitos
voltar
foi
a glória
depois
de ter morrido
de ter sido
enterrado vivo
de ter perdido
tudo
sigo
em paz
monstros
distantes
demônios
sorrindo
eu sei
agora eu sei
voltar
de onde eu
nunca devia ter saído

ESTA MINHA VIDA


este
gosto
pela loucura
de uma vida
abundante
esta
sede
de água
que não há mais
neste
mundo
estes quadros
que desenho
estas
tantas poesias
estas poesias
fico
às vezes
me perguntando
quem sou eu
de onde venho
e o que faço aqui
há tempos
tentei saber
sei que amo
o amor que tenho
em mim
e tudo
o que faz parte
deste meus mundo
de conceitos
e delírios
este gosto
esquisito
de viver
de querer toda vida
que puder
estas poesias
esta minha vida
este meu rio
meu rio
enfim meu riso