20 de nov. de 2016

ELAINE VELASCO

o amor
é ópio
é o veneno
que nos
faz seguir
em frente
é
a droga
que nos mantêm
vivos
o amor
é prisão
sem grades
é rua sem saída
o que nos faz
perder
o sentido
a razão
e qualquer coerência
o amor
é o encanto
dos desiludidos
é certeza
é mar
é referência

EDNA SAMPAIO

pode
ser
que haja
em alguma
esquina
desta imensa
cidade esquecida

um amor
que foi
jogado fora
por alguém
que não soube
amar
pode
ser
que em alguma
avenida
destas tantas cidades
que há
o amor
caminhe
por ai
mendigando
migalhas
de um amor qualquer
pode ser
que não haja
nada
em lugar nenhum

CLOTILDES FRAGA


sim
sempre
um novo sol
em um novo dia
e uma nova flor
que nasce
em algum jardim


sim
sempre
um novo vento
que leva o que é ruim
e traz
de novo novos ares

sim
sempre
uma nova vida
uma nova etapa
um novo jeito
de olhar
o que os olhos cansados
já não veem mais
creio
em dias melhores
em nuvens que passam
em um rio que jamais
deixa de correr

ELIANA MARIA

todos
somos
bosques
carregamos
em nós
luz
e trevas
temos
flores
espinhos
areia
e pedras
todos
somos
feito de mistérios
guerras
e paz
amor
e odio
dois pesos
de uma mesma balança
somos
sempre
dois
um exposto
e uma oculto
e quase sempre
damos
aquilo que recebemos...

19 de nov. de 2016

ELY PALO

ontem
uma flor
estava
sozinha

na calçada
da vida
parecia
perdida
não chorava
e nem sorria
apenas
existia
ontem
vi um homem
caminhava
sem olhar nada
nada existia
a sua frente
tudo eram muros
pisou
na flor
sem querer
e seguiu
não viu que matou
e nem percebeu
que já morreu

FABIA MARCELA

a gente
fere
gente
sem querer
ferir

já não sei
mais
se isso
é normal ou não
bater
a cabeça
no próprio
muro
se há culpa
culpados
expectativas vãs
a gente
machuca
e se machuca
já não sei
se a vida
é assim
ou se fomos nós
que a deixamos cruel
queria
que não fosse
que não machucar
e não me machucar
mas não é assim
e talvez
agora nunca mais seja

GABRIELLA MELINA

a tarde
escorre
a noite
não demora
vejo
pelas frestas
da janela
pessoas
que passam
apressadas
ou correm
ou quem está parado
sou eu
a tarde
vai
pelo mesmo caminho
de tantas outras tardes
e noite
vem apressada
varrer pra debaixo
do tapete
o que o dia deixou
tudo
isso
pelas frestas de minha janela

JOANA D ARC ELEOTÉRIO

não
gosto
das lágrimas
nem
do mal
estar
nem do
que termina
sem começar
não
gosto
do tempo
que corre
da vida
que vai
não gosto
do amor que morre
e da semente
que fica ali
sem germinar
não gosto
do fim
do que é bom
tantos nãos
em sins
perdidos
não gosto
do sabor
amargo do não
ainda que o não
esteja em tudo
o que finda
e em tudo que começa

JULIA NAGUEL

dai
derrepente
tudo
vira
um caos

uma bagunça
dai
nada mais
se encaixa
tudo
perde a forma
devagar
se deforma
dai
vira
um embaraço
uma confusão
sentidos
pra todo lado
amor
barulho
inquietação
que não vire
rotina
tudo
mas que também
nada seja
eterna paz

LANA MAIA

quero
morar
na ventania
de todos
os meus instantes

quero
ser a poesia
sem rima
crua
as avessas
quero
a disritmia
a taquicardia
quero
a boca seca
o coração disparado
quero
norte
e leste
quero
morar
na ventania
dos meus poemas
quero
o briho nos olhos
e a sutileza linda
do olhar