não me olhe
com estes teus olhos
de serpente
não
me chame
com estes teus
lábios
de mel
por que ainda
insiste
em mim
por que ainda
fica assim
faceira
cheia
de veneno
teu corpo
é veneno
não me olhe
não me queira
me deixe
ficar onde estou
em meus moinhos
meus redemoinhos
solitários
não
me chame
não quero escutar
tua voz
no vento
nem me olhar
no espelho
e ver tuas sombra
me deixe
quero ficar aqui
sentado no meu tempo
vento teu tempo passar
não
eu não te quero
nem te sonhar
nem te ver
sentir
não
eu não te quero
amar
nem desejo
estar
do teu lado
estar em você
nem quero
te olhar
nem te ver passar
sei
que não resisto
sei
que na mesmice
dos meus dias
tua loucura
incendeia
minhas horas falecidas
há tempos
não
eu não te quero
quero
não te ver
nem te sonhar
nem te querer
quero ficar
onde estou
perdido em mim
sem me achar
sem te querer
sem te sonhar
ai
paro
e te olho
tu
não existe
é miragem
minha loucura
meus sonhos
ai
paro
e acordo
e te sinto
te sinto
viva
na memória
ai
busco
em todos
os jardins
rosa bela
mesmo
sabendo
que não existe
mesmo
sabendo
que é meu sonho
minha loucura
ai
paro
e te olho
em mim
sorri
deixo o sorriso
morrer
ai
entendo
delírios
de um poeta
sem poesia
abro
minha janela
não consigo
ver o sol
os muros
cinzas
gelados
no cimento seco
abro
minha janela
sinto
apenas
o vento
que refresca
meus instantes
não mais flores
na calçada
não há
mais verde
nem verdade
abro
minha janela
fecho
os olhos
imagino
o mar
imagino
a menina mais bela
passando
deixando
no vento que sopra
o perfume
da pele
abro
minha janela
não vejo o sol
o céu
não vejo nada
imagino
tudo
noites
quentes
posso então
dedilhar
teu corpo
tocar teus seios
teu sexo
sem medo
noites
quentes
posso
olhar teu corpo nu
sem frescuras
beijar
tuas costas
querer
ainda mais
teu sexo
noites
quentes
e a gente
se enrosca
nos lençois
e ama
nestas noites
de lua
cheia
teu corpo
assim
entregue
ao meu desejo
noites
quentes
teu corpo
quente
quero
tuas promessas
tuas
mentiras
teus sonhos
teus dias
quero
se der
um pouco
do teu amor
do sabor
desta tua pele
quero
tuas horas
teus dias
mergulhar
no teu mundo
ser tua melodia
tua poesia
teu encanto
quero
teus momentos
teu banho frio
tuas incoerências
se der
teus beijos
teus abraços
gelados
teu ventre
teu colo
quero
um pouco
do teu ser
tua beleza
teu jeito de mulher
busco
em teu corpo
meu porto
busco
em teus beijos
a água
que mata
minha sede
busco
no teu calor
aconchego
quando
o mundo
fora
de ti
me devora
quando
as horas
enlouquecem
assim
nas noites
busco
teus seios
teus pele
saliva
das coxas
teu mel
busco
no teu amor
refúgio
instantes
que não morrem
amor que
não passa
busco
teus olhos
tuas mãos
e abraços
acalmo minhas ânsias
perco meu medo
meu mundo
teu corpo
pecado
há
um delírio
constante
uma imaginação
de um querer
sem razão
a gente
sonha
a perfeição
do outro
a gente
sonha
um bem querer
e corre
atrás
dessas ilusões
há
um sonho
constante
certezas
incertas
há
nuvens que pairam
neste céu
de bocas
agora
caladas
há poesias
em papéis
em branco
há gritos
no silêncio
há um tempo
que não passa
que não passa
que
não
passa
ainda
há
perfumes
mesmo
sem rosas
mesmo
sem tempo
mesmo
sem
as cores
das manhãs
adormecidas
ainda
há noites
que encantam
pessoas
de verdade
mentiras
que enganam
ainda
há
memórias
que gritam
e lembranças
que morrem
todos os dia
ainda
há
um amor disfarçado
e o medo
de tentar novamente
olho você
te sinto
mesmo quando
não digo
te amo
teu amor
está em mim
em tudo o que
faço
em tudo
o que sou
em tudo
de mim
olho você
teu jeito sereno
meigo
manso
teu sorriso
às vezes raro
tua beleza
tão sua
olho você
e te amo sempre
como sempre
te amei
mesmo quando me calo
te olho
e ainda dói
em mim
tua antiga dor
olho você
e sempre soube
era você
só você