6 de nov. de 2011

ROUBEI DO TEMPO

roubei
do tempo
o que o
tempo
quis roubar
de mim
roubei
as horas
da minha felicidade
roubei
os dias
da minha infância
roubei
de volta
o sorriso
de minha mãe
e o amor
de volta da minha
irmã
roubei
do tempo
tudo aquilo
que o tempo
roubou
de mim
meu riso
e minha alegria
minha felicidade
e meu despertar
guardei
tudo
dentro de mim
onde o tempo
não poderá
mais roubar

A VIDA É FEITA

a vida
é feita
das histórias
que não contamos
dos medos
que sentimos
dos momentos
que vivemos
a vida
é feita
dos dias
imprevisíveis
das manhãs
de primavera
e das tardes
frias
do inverno
é feita
dos beijos
na boca
feita
do amor
que sentimos
é feita
de instantes
que não passam
a vida
é feita
de erros
e de risos
é feita
de doces
de sonhos
a vida
é feita
da morte

AO VOLTAR

ao voltar
do sonho
nada
e mais
igual
tudo
ficou
sem cor
ficou
desigual
ao voltar
do sonho
não sinto
mais
as dores
que eu sentia
não tenho
mais
o medo
que eu tinha
ao voltar
do sonho
já não sei mais
o que é real
ando pisando
em nuvens
já não vejo mais
o temporal
talvez
não seja nada real
talvez
eu não volte
mais
deste meu sonho
que para mim
sim
é real

MEIO LARGADO

ando
meio largado
meio cansado
de tudo
sem coragem
para enfrentar
o mundo
já não quero mais
fazer parte de nada
quero
ficar
com minhas
cicatrizes
e minha tristeza
ando
meio largado
sei que o corpo
não é tudo
não é nada
cultivo
cultuo minha alma
ando
meio triste
sem vontade
queria ficar
na praia deserta
de mim
rabiscando
o dia todo
poesia
na areia que o mar
com certeza
iria apagar

CAOS

pode
o mundo
desmoronar
pode
o mundo
mergulhar
nas trevas
no caos
estarei sempre
bem
estarei sempre
além
porque em
mim
já doeram
todas as dores
porque mim
já não há
mais lugar
para o desalento
para o desamor
pode vir
o caos
a treva
pode o mundo
acabar
sei que fiz
tudo
plantei flores
espalhei poesia
e mesmo estando
no mergulhado
no caos
o caos
nunca fez parte
de mim

BOM CENSO

para
onde foi
a verdade
se escondeu
dentro
do armário
e a vergonha
e o bom censo
e o que é correto
e a justiça
o amor
a verdade
para foi
tudo
isso
toda certeza
os dias melhores
os dias
de sol
para onde
foram
todos os valores
que aprendi
tudo aquilo
que me ensinaram
o que ensinam
hoje
tanta besteira
tanta futilidade
tamanho
descaso
falta de amor
falta de bom censo

PERPLEXIDADE

agora
que tenho
eu que fazer
além
de ficar calado
além
de deixar
crescer
o musgo
fétido
de tudo
aquilo
que abomino
agora
que tenho
que fazer
fingir
que não vejo
que não sinto
tenho
que fingir
a vergonha
que sinto
viver
na perplexidade
de um lugar
que não foi
feito pra mim
e eu ainda
não entendi
o que Deus
quer de mim

ILHA

o amor
é uma ilha
cercada
de imbecis
por todos os lados
cercado
por gente
que não sabe
amar
mas saber
dizer
sem pensar
eu amo você
o amor
é uma ilha
um poço
sem fim
todos falam
poucos
se atrevem
a amar
o amor
de verdade
poucos
os corajosos
que desembarcam
nesta ilha
cercadas
de invejosos
cercada
de tolos
que dizem
sem pensar
a todos
eu amo você

AMARRAS

deixa
eu voar
solta
minhas mãos
corta
de vez
todas
as amarras
de que
adianta
me ter
preso
em mim
me deixa
voar
e morrer sozinho

tempos
aprendi
a viver
assim
cercado
por dor
e solidão
cercado
por pensamentos
deixa
eu ir
embora com o vento
solta minhas mãos
cortas
estas amarras
que me prendem

DOCE VENENO

não cuspo
eu bebo
devagar
o doce veneno
que me faz
engolir
a vida
tenho
tantas feridas
tantos medos
que já
não tenho medo
de nada
ando por aí
falando
sozinho
ainda por aí
pensando
besteiras
meus amigos
todos morreram
meus amigos
todos
se foram
eu o doce
escorre
pelo canto
da boca
e o doce veneno
já não
mata mais
um coração
que há muito tempo
já morreu