30 de jan. de 2011

pode
me copiar
pode
andar
e seguir
meus passos
pode
cantar
as mesmas
canções
pode
respirar
o mesmo ar
pode
voar
e até
sonhar
os mesmos
sonhos
estarás
sempre
um passo
atrás
estarás
sempre
correndo
porque já
deixei
de correr
há muito tempo
pode
olhar
jamais
saberás
o que vejo
nem sentirás
o que sinto
quantas
primaveras
perdi
quantos
verão
vivi
quantas
flores colhi
quantas
sementes
plantei
quantas
bocas beijei
quantas
bocas cuspi
quantas
poesias
escrevi
quantos livros
eu li
quantas
noites
dormi
abraçado
a lua
quantas
chuvas
peguei
quantos
caminhos
quantas vozes
quantos sonhos
quantas
tardes vazias
tudo isso
pra ver você passar
sempre
na minha avenida
ainda
respiro
ainda
estou viva
não vou
ficar
aqui
parada
não vou ficar
olhando
não quero
mais
que tenham

nem piedade
de mim
não quero mais
sofrer
vou quebrar
a casca
cansei
de ser lagarta
quero voar
ser borboleta
estou viva
estou respirando
não vou
deixar
que nada mais
tranque
minhas portas
que falem
as línguas
meu nome
que blasfemem
a meu respeito
ainda
vivo
ainda respiro
não sei
o que aconteceu
comigo
me entreguei
sem saber
nada de você
sem saber
seu nome
sem saber
sequer
seu endereço
não sei
onde eu estava
com a cabeça
pra deixar
que tudo
isso acontecesse
e agora
minha vida
está
assim
e você
continua
com seu jeans
barato
sua camiseta
encharcada
de perfume
vivendo
não sei
porque Deus
colocou você
no meu caminho
não se é castigo
ou minha redenção
não sei
o que aconteceu
comigo
porque me perdi
não sei
porque entrei
se eu sabia
que não conseguiria
sair
cada vez
mais
me perde
cada vez
mais
tens a minha
indiferença
e o meu desamor
porque mentes
porque és vazio
porque fingis
ser quem não és
cada vez
mais
me desconheço
e me culpo
por ter acreditado
que seria
diferente
foi diferente
para pior
ainda choras
e diz
sentir
no ombro
a culpa
a culpa
é tua
a minha foi
apenas ter confiado
a ti
meu corpo
e me traiste
no momento
exato
do teu gozo
cada vez
mais
me arrependo
de ter deixado
que tu
entrastes na minha vida
e pior
de tudo
me dói
saber
que jamais
sairá
de mim
não quero
mais gostar
de você
não preciso mais
dizer
o tempo
todo
que eu amo você
já sabemos
disso
já estamos
cansados
de saber
que há sim
esse amor
em nós
não quero mais
gostar
de você
porque tudo
o que eu faço
tem você
porque tudo
o que penso
tem você
e ainda
me perguntas
sem vergonha
se eu amo você
quiserá
eu não
amar
você sabe
tudo de mim
eu tudo de você
não preciso
mais provar
já provei tudo
nem tenho
que sair por ai
pixando muros
eu já os pixei
não quero mais
gostar
de você
já gosto
o suficiente
é fácil
gostar
de alguém
primeiro
há o olhar
depois
o flerte
a conversa
depois
se descobre
pontos
em comum
mais conversa
o beijo
sexo
mais conversa
depois vem
a despedida
a saudades
você
se sente
ou não saudades
é fácil
perceber
se você
gosta
realmente
de alguém
você
quer ver
que falar
precisa estar
procura
chama
telefona
sonha uma vida
a dois
crer filhos
crer envelhecer
juntos
é fácil
amar
alguém
basta ser sincero
basta leal
basta trocar de pele
de coração
e sempre
sempre
sempre
acima
de tudo
se colocar na posição
da pessoa amada

29 de jan. de 2011

amo você
amo você
e não me vejo
sem seu sorriso
sem sua bondade
sem suas mãos
amo você
amo você
e já não sei
o que é a vida
sem o seu amor
o que é minha volta
sem encontrar
você
amo você
amo você
porque me deu
a liberdade
para viver
a vida que me cabia
melhor
amo você
amo você
porque me entendeu
me aceitou
porque cuida de mim
do meu coração
e das feridas
do tempo
amo você
amo você

28 de jan. de 2011

amo
a noite
amo
a noite
e seus mistérios
e suas sombras
amo
a noite
a escuridão
dos sentimentos
e dos sentimentos
expostos
amo
a noite
e o silêncio
dos corpos
amo
a noite
andar a noite
amo
a paz
a calma
amo a lua
as estrelas
a brisa
que sopra nas
madrugadas
amo
a noite
amar a noite
viver a noite
suas cores
suas sombras

OLVÍDESE DE TODO!
OLVIDAR EL RESTO!
CONCENTRADO DE SOLO PARA "TE AMO, TU SABES... AUN SIN EL SIMPLE HECHO DE QUE NO HAY MANERA... SE SINCERO... MÁS ENFOQUE Y NO HAY SOLO VC ES MUY IMPORTANTE PARA AHORA TODO TIENE SENTIDO... ... GRACIAS POR PODER DE SUEÑO Y ENCONTRADO EN MIS SUEÑOS...

dinheiro
maldito
dinheiro
bem dizem
que dinheiro
compra tudo
e compra
compra
o amor
o desamor
compra amizades
compra
os inimigos
compra talento
compra provas
certezas
compra certificados
dinheiro
maldito
dinheiro
que acabou
com tudo o que era bela
com tudo o que era perfeito
basta
hoje
ter um pouco
de sorte
basta hoje
ter dinheiro
não é preciso esforço
não é preciso tempo
dinheiro
maldito
dinheiro
escrever
não é brincar
de faz de conta
assim
como amar
não pode
ser brincadeira
de criança
escrever
é coisa séria
é transformar
sentimentos
é direcionar
mostrar
o caminho
tem que ter
mais do que tudo
amor
não pode ser
complicado
não pode
ter traços
de dor
mesmo que chore
o poeta
mesmo que morra
tudo a sua volta
não pode haver dor
escrever
não é brincar
é se expor
se rasgar
se entregar
já é tarde
as horas
morrem
secas no relógio
não sobrou
nada de nós
nenhuma lembrança
ficou
de tudo o que passamos
dos momentos
que achamos
ser eternos
já é tarde
arrume
suas malas
e vá embora
não há mais
nada que lhe
segure
aqui
nem as paredes
desse quarto
as portas
estão abertas
já é tarde
não precisa esperar
o sol
o sol para nós
não mais
nascerá
queres saber
pensei
que fosse
eu
encontrar flores
em teu jardim
pensei eu
que fosse
encontrar
perfume
em teus ventos
pensei
que fosse
encontrar
mel em tuas palavras
não achei
nada
não achei mel
não achei flores
e nem uma gota
de perfume
queres saber
ainda é vazia
tua alma
mesmo que cantes
por ai
poesias
será sempre
vazia
tua alma
quero sair
desse estado
letargico
que me encontro
quero
sair de mim
sair desse marasmo
quero um pouco
de sol
de ar fresco
quero pegar
meu carro
e me arrebentar
em um muro
qualquer
quem sabe
assim
acorde
quem sabe assim
possa
sair desses
ecos
quem sabe
assim
pare de escutar
essas vozes
que em atormentam
quero
sair
renascer
voltar a respirar
a viver

26 de jan. de 2011

já se foi
mais um
ano
de minha já foi
não fiz
nem metade
do que eu
queria
mas vivi
tudo
o que me foi
direito
viver
já se foi
mais uma página
de livro
sem fim
amei
demasiadamente
bem
cultivei
corações
fiz amigos
ganhei sorrisos
plantei sementes
rosas
tirei espinhos
ensinei
a andar
me ensinaram
a sorrir
e assim
mais um se foi
e mais um ano
virá...
meus amigos
aqueles
poucos
que conheço
estão distantes
não sei
qual o o cheiro
da pele
não sei
como é
o calor
do abraço
meus amigos
são apenas
feito
das verdades
que me dizem
não sei
nada
do mundo
em que vivem
talvez
vivam
no mesmo mundo
que eu
ou não
meus amigos
aqueles
poucos
que conheço
sabe
pouco de mim
como eu
que não sei nada deles
já não preciso
mais correr
para provar
o gosto
o gosto
já escorre
da minha boca
pelos cantos
dos cantos
que minha boca
entoa
já não preciso
mais
do calor
do abraço
já tenho
o braço
que me sustenta
que me levanta
nem preciso
mais
provar
o néctar
da vida
que vivo
todos os dias
já não preciso mais
estar vivo
para sentir
que viver
vale à pena
a madrugada
voa
passa
eu não sinto
quando
vejo
o sol
já rasga
o horizonte
.
a madrugada
entre
as vozes
que não dorme
entre sorrisos
e a lida
a labuta
árdua
do dia
e a farra
.
madrugada
passa
acordada
de vez
em quando
cochila
rindo
à toa
de todos
os absurdos
que se diz
enquanto
não finda
mais uma noite
tanta
gente
indo e vindo
nas vidas
que se cruzam
nas vidas
que se encontram
todos
os dias
tanta gente
correndo
umas
tentando viver
outras
querendo morrer
outras ainda
não sei
quem sabe
querendo
descobrir
o porque de tudo isso
tanta gente
passando
por nossas vidas
que já não sabemos
mais nada
de nós
sou assim
vivo
de ilusões
vivo
do nada
sou assim
feliz
assim
trancado
em mim
amando
assim
como aprendi
a amar
sou assim
feitos
de instantes
e detalhes
feito
das mais
loucas
e improváveis
nuances
sou assim
vivo
das poesias
das paixões
e dos olhos
que não me vêem
tua boca
com este
hálito
de cigarro
esta
fumaça
entre nossas
bocas
este cigarro
que não queima
tua boca
cheia
de saliva
minha boca
cheia
do teu veneno
entre nós
este cigarro
que não queima
entre
a fumaça
e nós
o silêncio
e a espera
infinita
do cigarro
que não queima
nem mesmo
a morte
roubará
você de mim
nem mesmo
o tempo
poderá
um dia
nos separar
somos
um só corpo
somos
feitos
do mesmo barro
do mesmo
amor
nem mesmo
nossos pensamentos
podem
mais nos trair
somos um
um só

um só
de dois
quero
me livrar
dessa casca
desse meu corpo
quero
sentir-me
finalmente livre
disso tudo
quero
descansar
sempre
andar
sem esse peso
sem ter que
carregar
esse fardo
quero
olhar no espelho
e não mais
ver meu rosto
estou cansado
disso tudo
para onde
vão
as lágrimas
que rolam
das faces marcadas
pela dor
.
para onde vão
os ventos
e a poeira
de todos nós
depois
que tudo termina
.
para onde
vão
as cinzas dos
nossos corpos
queimados
pela chama
da paixão que sentimos
.
para onde vamos
nós
depois
de nós mesmos

24 de jan. de 2011

para onde
ando
me segues
sentes
o mesmo
que eu
o vento
a chuva intensa
as pegadas
na areia
para onde
olho
encontro
sempre
teus olhos
me olhando
escuto
tua voz
nas minhas noites
vazias
para onde
ando
encontro
vestígios
teus
no ar
que respiro
nas migallhas
do teu amor
espalhado
para onde ando
por onde vou
seja qual for
o caminho
duvidas
de mim
do amor
que sinto
duvidas
de mim
que posso
sim
seguir
mesmo
te amando
sem ti
duvidas
de mim
duvidas
de mim
quando digo
que mesmo
sem asas
eu posso voar
duvidas
quando fala
da minha
capacidade
de amar
e que já não
tenho mais
medo da dor
duvidas
quando digo
que só a morte
pode te tirar
de mim
mas nunca
me tirar
de ti
quero
de ti
o teu abraço
o teu beijo
teu corpo
teus desejos
quero
de ti
tua vida
tua alma
todas as tuas
lágrimas
toda a tua dor
quero
de ti
teus instantes
tuas noites
ser tua água
teu alimento
tuas vestes
quero
de ti
teus sonhos
e ânsias
quero
de ti
o teu medo
da morte
tua respiração
quero de ti
tudo
para que
enfim
eu possa existir
eu vou
continuar
olhando
para os lados
eu vou
continuar
olhando
meus olhos
ainda
enxergam
vou continuar
caminhando
pelo mesmo
enquanto
minhas pernas
conseguirem
suportar
minhas pernas
não vou mudar
não vou deixar
de ser eu
porque devo me
importar
com razões
que não sejam
as minhas
porque devo eu
simplesmente
para de viver
a minha vida
que me importa
a cor
do seus cabelos
que me importa
se suas
unhas
não estão
ou não pintadas
que me importa
se suas
roupas
estão velhas
surradas
me importa
ver em seus lábios
o sorriso
me importa
chegar
e encontrar
seus braços
abertos
o brilho
nos seus olhos
e seu coração
batendo forte
sua paz
sua vida
é o que me importa
nada além
do seu amor
mulher
pra mim
tem que ser
assim
cheia
de frescura
cheia
de dengo
mulher
pra mim
tem que
ser assim
usar salto alto
sim
andar
de saia
de vestido longo
tem passar
batom
tem que
ter espelho
na bolsa
tem que deixar
perfume
por onde passa
mulher
pra mim
não pode ser
santa
tem que ser
sensual
sem ser vulgar
tem que ter mistério
no olhar
tem que fazer
o homem rastejar
mulher
pra mim
tem que ser como
rosa
perfumada
e cheia de espinhos
onde
está
o amor
em meio
a essas coisas
feias
e ruins
desses dias
sem sol
como
pode viver
o amor
em meio
a essa dor
que não passa
porque
tem que ser
assim
porque essas
nuvens
não dispersam
onde
o sorriso
que fazia
tudo ser melhor
onde está
o corpo
que aquecia
meu corpo
nas noites frias
onde
está o amor
em meio
a esses lençois
amarelados
línguas
afiadas
cortam
mais que
navalhas
línguas
malditas
que falam
sem pensar
línguas
que desafiam
que machucam
insanas
línguas
venenosas
palavras
cheias
de escárnio
cheias
de um bolor
de uma podridão
línguas
maliciosas
línguas
cheias de fel
podres
línguas
que morrerão
sozinhas
algumas
coisas
aqui
desse lugar
chamado
planeta terra
fogem da nossa
humilde
compreensão
alguns
seres
humanos
ainda
buscam evolução
alguns
seres
humanos
ainda
engatinham
tentar
entender
nos deixa a um
passo da loucura
sem cura
algumas coisas
aqui
ainda
não devem ser
interpretadas

23 de jan. de 2011

melhor
se fazer
de cego
de surdo
se fazer de mudo
melhor
se fazer de
desentendido
se fazer
de rogado
melhor
mudar
de calçada
mudar
de mundo
mudar de tudo
melhor mesmo
é disfarçar
engolir
a seco
olhar para o céu
para o espaço
para o nada
não posso
voltar
se eu pudesse
refazer
esse mesmo
caminho
se eu pudesse
começar
a viver
de agora em diante
mais esperto
mais vivo
cheio
da malandragem
que me faltou
se eu pudesse
voltar
e ser ontem
o que sou hoje
mudaria
os contornos
e manteria
os traços
desse caminho
se eu pudesse
voltaria
para viver
tudo de novo
tenho
que correr
tenho que fazer
acontecer
o que antes
não aconteceu
tenho
que encontrar
saídas
tenho que encontrar
as portas
abertas
encontrar
as chaves
das portas
que joguei fora
tenho que parar
o tempo
e apertar o passo
tenho
que respirar
antes
que acabe
todo ar
tenho que viver
e encontrar
as chaves
que joguei fora
você
mudou tudo
chegou
e mudou tudo
mudou
o dia
e a noite
mudou
nossa maneira
de ver
e querer
a vida
você mudou
nossa história
arrancou
de nós
a rotina
embalou
nos braços
nossa vida
agitou
fez o tempo
parar e correr
contra nós
e a nosso favor
você mudou
de vez
tudo em nós
não te vejo mais
pego-te
apenas
no rastro
do teu perfume
sei o porque
sabemos
sim
que tudo isso
é nuvem que passa
entendemos
essa distância
entre nós
não te vejo mais
mal sinto
teu abraço
teu corpo
ainda que exista
em mim
o gosto
do teu beijo
há em mim
de ti
mais que tudo
saudade
despede-se
de mim
a saudade
chora
longe
do abraço
o braço
cansado
pede
que corra
depressa
demais
não suporta mais
sentir
tanta dor
despede-se
de mim
os papéis
onde escrevi
várias vezes
teu nome
em vão
despede-se
de mim
de vez
tua história
o difícil
eu sei
é olhar
para o que ficou
olhar o passado
e não poder
mudar nada
nem apagar
rastros
e pegadas
o difícil
eu sei
é viver
querendo não lembrar
e lembrar
toda hora
do que se quer
esquecer
e doi
ter que viver
com essas marcas
ainda
que brandas
marcantes demais
é difícil
se eu
pudesse
simplesmente
me desligar
feito
rádio
feito
televisão
seu eu pudesse
simplesmente
me apagava
de mim
se eu pudesse
apagava
de mim
tudo aquilo
que me machucou
como
papel em branco
não posso
me deslligar
nem apagar
tenho
que lembrar
tenho que sofrer
morrer
com isso
para sempre
em mim
de você
não sobrou nada
só a raiva
a minha
frustação
por ter
cedido
a tudo
o que eu
não queria
de você
não ficou nada
nenhum papel
nenhum retrato
ficou
apenas
o amargo
o fel
da sua boca maldita
de você
ainda hei
de me livrar
das marcas
que o tempo
não quer apagar

22 de jan. de 2011

esse caos
ne engole
não sou nada
sou mais um indo
como tantos
em tantas direções
esse caos
esse sol
ardido na pele
já ressecada
não sou nada
sou mais um
perdido
entre tantos
que como eu
não sabem
para onde
vão
eu sei
que há vertigens
vertentes
sonhos
esse caos
essas ruas
essas pessoas presas
diferentes de mim
em seu eu
você vem
para provocar
para me fazer querer
para me fazer sonhar
mas não quero
sofrer
sonhando
contigo
absurdos
você
vem
para me fazer voar
para me
enlouquecer
para me
enloquecer
para me
entorpecer
mas não vou
me perder
nessa loucura
não vou entrar
nesse
êxtase
não vou enlouquecer
não vou sofrer
não vou criar
asas
não vou sonhar com você
não fale comigo
não olhe
para mim
não diga meu nome
nem sussurre
qualquer palavra
não goste de mim
nem ao menos
me queira bem
deixa
secar
o que sinto
deixa morrer
sem água
esse amor
estupido
deixa essa saudade
dos momentos
que inventei
sumirem
nem tempo
que é só meu
não me procure
não me chame
não me ache
deixa-me
secar
os ventos
arrastam
as pedras
do caminho
os ventos
mudam
as pedras
de lugar
os ventos
levam e trazem
as nuvens
levam e trazem
o pó
os ventos
não se cansam
de soprar
de cantar em nós
a triste
canção
da solidão
os ventos
arrastam
meu eu
para todo
lugar
veio
a chuva
levou
os muros
da minha vida
derrubou
os alicerces
do amor
que eu sentia
veio
a chuva
dos olhos
teus
e levou
tudo o que havia
dentro de mim
o coração
o peito
a razão
veio
a chuva
dos olhos
teus
depois disso
tudo em mim
morreu

morram
em mim
todas as dores
todas as mágoas
morram
em mim
todos os dias
passados
todos os amores
mal resolvidos
morram
em mim
todas as noites
mal dormidas
pela insônia
que pouco a pouco
me corroia
morram em mim
qualquer
pouca
lembrança
qualquer das poucas
saudades
que semeei
que morram em mim
foi
ali
que nasceu
junto de ti
meu eu
foi
ali
naquela ponte
destruída
que peguei
para mim
tua vida
foi
ali
no instante
sagrado
que tentavas
desesperada
acabar
com tua vida
foi
ali
naquela ponte
destruida
que nasceu
junto
de ti
meu eu
nossa vida